sábado, 6 de outubro de 2012

Ficha Limpa ameaça mais de 1,2 mil candidatos; veja quem são


Um novo levantamento divulgado nesta sexta-feira pelo site Congresso em Foco com base em dados dos tribunais regionais eleitorais e das procuradorias regionais eleitorais apontou que pelo menos 1,2 mil candidatos inscritos para disputar as eleições de domingo estão sob ameaça da lei da Ficha Limpa. A nova lista acrescenta cerca de 300 nomes à relação divulgada na última terça-feira, que reunia mais de 900 candidatos.

O novo levantamento inclui informações do Rio de Janeiro, Alagoas e Acre, Estados que não constavam na lista anterior. Além disso, foram incluídos candidatos a vereador do Estado de São Paulo, que estavam fora do levantamento do TRE paulista. Mesmo inicialmente barrados, esses candidatos, em sua maioria, podem continuar fazendo campanha e ser votados porque recorreram da decisão desfavorável. Nesses casos, os votos que eles receberem dos eleitores serão considerados nulos até o julgamento do recurso, e só serão contabilizados se o candidato tiver sucesso na apelação à Justiça.
Fonte: Portal Terra Online
Edição: Antonio Luis

Blogueira cubana anuncia no Twitter que foi libertada


Dissidente seguia para julgamento de político espanhol em Bayamo.
Ela foi detida junto com o marido, Reinaldo Escobar.


A blogueira cubana Yoani Sánchez anunciou na noite desta sexta (5), em sua conta no Twitter, que foi libertada.

Yoani Sánchez e outros dissidentes foram detidos ao viajarem para a cidade onde está sendo julgado um político espanhol envolvido no acidente rodoviário que causou a morte do proeminente oposicionista Oswaldo Payá.

A Anistia Internacional e a Comissão Cubana de Direitos Humanos disseram que Sánchez foi presa na tarde de quinta-feira em Bayamo, no sudeste da ilha, junto com seu marido, Reinaldo Escobar, e outro acompanhante.

"Yoani planejava cobrir nesta manhã a abertura do julgamento do político espanhol Angel Francisco Carromero Barrios para o jornal espanhol 'El País'", disse a Anistia em nota. A ativista se tornou conhecida no exterior por causa das críticas ao regime comunista que faz no seu blog, o Geração Y.

Carromero, de 26 anos, é acusado de homicídio por causa do acidente de 22 de julho que matou Payá, de 60 anos, e outro ativista, Harold Cepero, de 31. Carromero pode ser condenado a pena de 1 a 10 anos de prisão, num caso que despertou grande atenção internacional.

Fonte: G1
Edição: Antonio Luis

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

MA: Justiça Eleitoral zera julgamentos antes das eleições


O Maranhão, o 11º colégio eleitoral do País, terá as eleições sem pendências relativas às candidaturas e propagandas dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado julgou até a sessão de quinta-feira, a última antes das eleições, todas as ações movidas até então. No total, foram julgados 893 processos referentes a registros de candidatura e propaganda eleitoral. Ao longo desta semana, houve três sessões ordinárias no tribunal.

A próxima ocorrerá no dia 9, quando podem ser julgadas novas ações, como embargos declaratórios. Porém, oTRE informou que se houver necessidade, os integrantes do Tribunal podem se reunir em sessão extraordinária. No domingo, mais de 4,5 milhões de eleitores no Maranhão escolherão prefeito, vice-prefeito e vereador em 217 municípios. Há 5.565 locais de votação e 111 zonas eleitorais. No total, serão usadas 19.157 urnas eletrônicas para o registro dos votos.
Fonte: Portal Terra Online
Edição: Antonio Luis

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

CONHEÇA SEU CANDIDATO NAS ELEIÇÕES 2012


DIVULGACAND é o sistema responsável pela divulgação das candidaturas registradas em todos os municípios do Brasil.
Por meio do sistema, é possível consultar o quantitativo de candidaturas por município e cargo. Além disso,  pode-se verificar a situação do candidato, assim como todos os seus dados, conforme foi informado à Justiça Eleitoral.
O sistema é disponibilizado na Internet para todos os cidadãos que desejarem. Para acessá-lo, não há necessidade de cadastro prévio ou autenticação de usuário.
Acesse ao DivulgaCand2012 e conheça os candidatos da sua cidade.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral
Edição: Antonio Luis

Melancia é nova aliada contra doenças do coração





Uma recente pesquisa americana aponta que o consumo de melancia faz bem ao coração. Uma fatia por dia pode ajudar na prevenção de ataques cardíacos, segundo estudo realizado pela Universidade Purdue, nos Estados Unidos.
A fruta ajuda a baixar os níveis do mau colesterol, o LDL, principal fator que leva ao entupimento de artérias e pode causar ataques cardíacos. Segundo os pesquisadores, comer melancia regularmente ainda ajuda na manutenção do peso e no menor acúmulo de gordura, benefícios creditados ao aminoácido citrulina. Estudos anteriores associam a substância ao controle da pressão arterial.
O estudo foi realizado em ratos e outras investigações devem ser feitas para comprovar os benefícios. Animais alimentados com a fruta durante vários meses demonstraram níveis até 50% menores do mau colesterol na comparação com os demais, mesmo recebendo o mesmo tipo de dieta. Eles também engordaram 30% menos do que o outro grupo.


Fonte: Revista ISTOÉ Online
Edição: Antonio Luis

STF retoma julgamento do mensalão com voto de revisor sobre Dirceu


Na quarta, relator votou pela condenação do ex-ministro e mais sete réus.
Revisor inocentou José Genoino, mas não concluiu voto sobre José Dirceu.


O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na tarde desta quinta-feira (4) o julgamento do processo do mensalão com a conclusão do voto do revisor da ação penal, ministro Ricardo Lewandowski. Ele dirá se condena ou absolve o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu do crime de corrupção ativa (oferecer vantagem indevida).
Na quarta, ele divergiu do relator e votou pela absolvição do ex-presidente do PT José Genoino.

Dez pessoas da antiga cúpula do PT e do grupo de Marcos Valério foram acusadas de corrupção ativa. Segundo a denúncia, os réus deram dinheiro a parlamentares para comprar o apoio político de deputados ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara.

Após a conclusão do voto de Lewandowski sobre Dirceu, os demais ministros do Supremo devem começar a votar – veja como cada magistrado já votou sobre cada réu. Para que um réu seja condenado ou absolvido, é preciso os votos de pelo menos seis dos 10 ministros do Supremo.
Políticos e assessores que receberam dinheiro do esquema já foram condenados por corrupção passiva (receber vantagem indevida)  – clique aqui para ver o que diz a acusação e o que diz a defesa de cada réu.
Segundo a denúncia, Dirceu, Genoino e Delúbio se associaram ao grupo de Valério, apontado como o operador do mensalão, para desviar dinheiro de contratos públicos e contrair empréstimos fraudulentos, com a finalidade de ampliar a base aliada de Lula.
A pena para o crime de corrupção ativa varia de 2 a 12 anos de prisão. A dosimetria (tamanho) da pena será definida pela corte ao término do julgamento dos 37 réus.
Argumentos do relatorAo votar pela condenação do ex-ministro, Joaquim Barbosa disse que Dirceu foi o "mandante" do esquema de pagamentos a deputados de partidos da base aliada (veja no vídeo ao lado).
Além de Delúbio, Genoino e Dirceu, foram condenados pelo relator Marcos Valério e seus sócios (Cristiano Paz e Ramon Hollebarch), além de Rogério Tolentino e Simone Vasconcelos, ex-funcionários de Valério. Lewandowski absolveu Tolentino por entender que não havia provas da participação dele no esquema.
Tanto Barbosa quanto Lewandowski inocentaram das acusações de corrupção ativa o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e Geiza Dias, ex-funcionária das agências de Marcos Valério.
Para Barbosa, o ex-ministro "comandou" a atuação de Delúbio Soares e de Marcos Valério na distribuição de dinheiro. “Os dados permitem perceber que Dirceu comandou a atuação de Delúbio e Valério. Os fatos aqui mostrados derrubam de uma vez a tese da defesa de que José Dirceu não tinha nenhuma relação com Marcos Valério", afirmou.
De acordo com Barbosa, Valério atuava como "broker" (espécie de intermediário) de José Dirceu no esquema de pagamento de propina a partidos em troca de apoio político.
“Pela envergadura das pessoas envolvidas, percebe-se de modo claro que Marcos Valério falava em nome de José Dirceu, e não como pequeno e desconhecido publicitário de Minas Gerais. Atuava como seu broker", afirmou Joaquim Barbosa.
Condenações
Ao todo, 22 dos 37 réus do processo do mensalão já sofreram condenações na análise de quatro tópicos da denúncia: desvio de recursos públicos, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e corrupção entre partidos da base.
Até agora, foram inocentados quatro réus: o ex-ministro Luiz Gushiken, o ex-assessor do extinto PL Antônio Lamas, ambos a pedido do Ministério Público, além da ex-funcionária de Valério Geiza Dias e da ex-diretora do Banco Rural Ayanna Tenório, que ainda serão julgadas por outros crimes.
Fonte: G1
Edição: Antonio Luis

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

FARC DEFENDEM A PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NO PROCESSO DE PAZ


                    Apoio. Militares e helicóptero brasileiros usados no resgate de reféns libertados pelas Farc: apesar de fornecer armamentos à Colômbia, Brasil é visto com bons olhos pela guerrilha

              Apoio. Militares e helicóptero brasileiros usados no resgate de reféns libertados pelas Farc: apesar de fornecer armamentos à Colômbia, Brasil é visto com bons olhos pela guerrilha

RIO — As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) defendem a participação do Brasil no processo de paz colombiano. “É um país que tem tido uma boa posição. Sobretudo, não declarou as Farc terroristas”, justifica Marco León Calarcá, um dos quatro negociadores nomeados pela guerrilha para se sentarem à mesa de negociação. O primeiro encontro está previsto para ocorrer no dia 15 em Oslo. Depois, as reuniões continuam em Cuba, de onde Calarcá falou, por telefone, ao GLOBO.
No início do mês passado, o governo colombiano e a guerrilha anunciaram aquela que será a quarta tentativa de pôr um ponto final ao conflito, iniciado há 48 anos. A decisão tomada pelo governo do presidente Juan Manuel Santos significou uma guinada em relação à postura de confronto intransigente adotada pelo então presidente Álvaro Uribe (2002-2010), padrinho político de Santos e hoje uma das principais vozes críticas ao processo de paz.
- As Farc sempre quiseram tratar o problema nacional pelo diálogo e não pela guerra. Se as circunstâncias permitirem, esse será o caminho a seguir e esse será o caminho à paz - diz Calarcá, que nega o risco de que, uma vez firmado o acordo pela cúpula da guerrilha, grupos dissidentes possam manter vivo o conflito. -As determinações que se tomem numa mesa são compromisso para toda a organização. Não há espaço para que isso aconteça.
O processo conta com o apoio direto de Venezuela, Cuba, Chile e Noruega. O Brasil ficou de fora. O presidente Santos ligou para a presidente Dilma Rousseff pouco antes de anunciar o acordo. Segundo uma fonte da diplomacia brasileira, a ausência brasileira não causa nenhum prejuízo e está de acordo com a política “de resultados, não de prestígio” adotada pelo país.
Itamaraty ‘pronto a apoiar’
As Farc são consideradas uma organização terrorista pelos EUA (desde 1997) e pela União Europeia (desde 2002). Tanto Uribe como Santos tentaram convencer o Brasil a fazer uma declaração semelhante, mas sem sucesso. Isso fez com que o país ganhasse pontos com a guerrilha, como indica a declaração de Calarcá. Isso apesar de o Exército colombiano contar com aviões da Embraer para combatê-la, e de declarações como a feita pelo então ministro da Defesa Nelson Jobim, em 2010, de que receberia os guerrilheiros “à bala" se entrassem no Brasil.
Além disso, o acordo de cinco pontos discutirá temas como a questão agrária colombiana e o narcotráfico - a guerrilha, acusada por EUA e ONU de ser ativa no tráfico, é favorável à legalização das drogas, alegando ser uma forma de combater o fenômeno - além de prever a possibilidade de participação dos desmobilizados na política. Ou seja, caso o processo de paz dê certo, as Farc poderão emergir como um ator político convencional. Nessas condições, o peso brasileiro é outro atrativo.
- O Brasil é um dos países que têm importância latino-americana, que pode influir sobre a economia regional em eixos de grande alcance - diz Calarcá. - Nós sempre consideramos que são necessárias mudanças na vida colombiana e em todo o continente por igual. Se nos dão a possibilidade de fazer parte das decisões do país (Colômbia), bem-vinda seja.
Em nota, o Itamaraty afirmou que “o governo apoia o processo de negociação” e que, “na medida em que puder ajudar, o Brasil está pronto a continuar a apoiar o diálogo e as negociações.”
Professora da Universidade Nacional de Quilmes (Argentina) e bolsista do Ipea, Monica Hirst avalia que uma eventual participação brasileira seria positiva para o país, inclusive no que toca ao pleito de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Alguns analistas políticos afirmam que a recente chegada ao poder de governos de esquerda - como os liderados pelos ex-guerrilheiros Dilma Rousseff e José Mujica (no Uruguai) - é um dos estímulos à desmobilização das Farc. Calarcá vê o caso colombiano nesse contexto.
- O conflito colombiano com certeza parece muito com (os de) Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile.
O negociador das Farc também indica que não irá exigir que o cessar-fogo, um dos pontos do plano de paz, seja uma condição para os diálogos. Santos diz que não haverá tréguas.
- Tem que se chegar a isso no momento claro. Quando já houver todos os elementos em concordância e definidos na mesa, então se acordará como fazer o cessar-fogo - diz Calarcá.
Mas, enquanto Santos tem dito que o processo de paz será uma questão de “meses, não de anos”, o negociador da guerrilha prefere rejeitar quaisquer limites de tempo.
- O importante é que o acordo saia, e não o tempo.


Fonte: O GLOBO
Edição: Antonio Luis

terça-feira, 2 de outubro de 2012

'Estou vivo por um milagre', diz sobrevivente do Carandiru


Jacy Lima de Oliveira tinha 27 na época da invasão da polícia.
Preso como suspeito, ele entrou com ação contra o Estado.

Giovana SanchezDo G1 SP
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O ex-detento e atual pastor evangélico Jacy de Oliveira onde era o Pavilhão 9 do Carandiru, hoje um parquinho infantil do Parque da Juventude (Foto: Flavio Moraes/G1)O ex-detento e atual pastor evangélico Jacy de Oliveira, no lugar que, segundo ele, se localizava o Pavilhão 9 do Carandiru - hoje um parquinho infantil do Parque da Juventude (Foto: Flavio Moraes/G1)
Jacy Lima de Oliveira diz lembrar todos os detalhes daquele 2 de outubro de 1992. As imagens, o cheiro, e, principalmente, os gritos. "Foi um inferno na Terra, estou vivo por um milagre", conta o ex-presidiário da antiga Casa de Detenção e sobrevivente do massacre que deixou 111 mortos, quando há 20 anos a polícia de São Paulo invadiu o pavilhão 9 da penitenciária após um início de rebelião.
"Eu sobrevivi, eu vi a história, eu pisei em sangue que dava quase na canela, e isso não é exagero, não! Ouvi gritos que até hoje ecoam na minha mente", disse Jacy ao G1, em uma entrevista feita no Parque da Juventude, construído após a implosão dos pavilhões do Carandiru e inaugurado em 2003. "Quando venho aqui eu me sinto livre, feliz de estar vivo. E me sinto também muito triste por saber que aqui morreu muita gente, e que os crimes estão impunes. Na verdade isso aqui é um tapete em cima de um grande montão de sujeira."
O massacre ficou conhecido internacionalmente, e até agora nenhum réu foi preso. Todos respondem ao processo em liberdade - e nenhum ficou ferido na ação. Alguns se aposentaram e outros morreram antes mesmo de serem julgados.
Jacy foi para o maior presídio da América Latina aos 27 anos, suspeito de um roubo a uma mansão no Morumbi - que alega não ter participado. "Eu vivia uma vida de criminalidade, muita droga, era um desespero, mesmo. Mas quando eu estava no auge do crime e da droga, achei por bem procurar um trabalho."
Segundo ele, um irmão achou um bico de auxiliar de pedreiro e ele aceitou. Quando chegou lá, viu que um outro ajudante era da mesma quadrilha que ele participava. Segundo Jacy, que na época era conhecido como "mineirinho" pela origem do estado vizinho, o companheiro de gangue organizou o assalto, mas sem chamá-lo. "Fiquei 11 meses e quatro dias preso. Nesse tempo fui seis vezes ao Fórum. Nunca provaram nada contra mim nesse caso."
Jacy entrou com uma ação contra o Estado na Justiça por ter ficado preso sem condenação e, segundo ele, ganhou em primeira e segunda instâncias, e agora aguarda a liberação da indenização. O atual pastor evangélico, e pai de dez filhos, publica neste mês um livro com seu relato do massacre. O título será exatamente esse: "Eu sobrevivi para testemunhar o massacre do Carandiru".
Biblioteca do Parque da Juventude foi construída, segundo Jacy, no lugar do Pavilhão 2, onde era feita a triagem dos presos do Carandiru (Foto: Flavio Moraes/G1)Biblioteca do Parque da Juventude foi construída, segundo Jacy, no lugar do Pavilhão 2, onde era feita a triagem dos presos do Carandiru (Foto: Flavio Moraes/G1)
O começo: rebelião no Pavilhão 9
Jacy conta que naquele 2 de outubro era o seu dia de fazer a comida na cela. Ele saiu para procurar óleo antes do fim do período de banho de sol e, quando descia as escadas, viu uma aglomeração estranha no segundo andar, uma briga entre presos.
"Quando decretaram a rebelião, a gente estava esperando a hora, porque automaticamente o Choque ia entrar. Aí começaram a quebrar tudo. Tocaram fogo em toda papelada da justiciária, quebraram os espelhos da barbearia, quebraram os canos de esgoto e aquela água de fezes começou a desaguar dentro do pavilhão", disse ele.

"Quando foi 18h, se viu pela televisão as aglomerações no portão. Só que não só entrou o Choque, entrou o Gate [Grupo de Ações Táticas Especiais] e a Rota [Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar]. Na minha concepção, eles entraram para matar, não para apaziguar, acabar com a rebelião."
'Matança'
"Eu tive um privilégio, que tenho pra mim como um milagre, porque muitos que passaram ali, como eu, morreram a facada, a tiro a queima roupa na cabeça. Eu passei no corredor da morte duas vezes. Descendo em direção ao patio e voltando. Subiram na minha frente umas 80 pessoas e eu ouvi o grito da morte delas."
Sidney Sales: 'Eu não acredito na Justiça" (Foto: Giovana Sanchez/G1)Sidney Sales: 'Eu não acredito na Justiça'
(Foto: Giovana Sanchez/G1)
Jacy acredita que os mortos foram muito mais do que os oficiais 111. "Até hoje tem família procurando os filhos no sistema carcerário", diz ele.
Outro sobrevivente concorda com Jacy: os números reais de mortos seriam bem maiores. Sidney Sales estava no quinto andar do Pavilhão 9 quando começou a rebelião, e conta que na hora que os policiais chegaram, ele estava abaixado, rezando junto com outros presos.
"Policial invadiu e pediu para todos nós tirarmos a roupa e, quando saímos, já existiam diversas pessoas estiradas no chão. Descemos até o primeiro andar e pediram para ficar com a cabeça entre as pernas. Ali, por volta de umas duas ou três horas, os policiais mandaram que os detentos retornassem a suas celas. E, quando eu estava nessa fila, um policial bateu no meu ombro. Eu pensei que ele tirar a minha vida, mas foi justamente quando ele me pediu para carregar alguns cadáveres."
Sidney disse, num depoimento dado na última sexta-feira (28) em um encontro de movimentos sociais em São Paulo, que carregou cerca de 35 cadáveres. Quando percebeu que um dos corpos que carregava era justamente de um preso que fazia o mesmo que ele, entendeu que aquilo se tratava de "queima de arquivo" e fugiu para dois andares superiores. Lá, conta que encontrou mais três policiais que lhe mostraram um molho de chave e disseram que ele teria uma única chance de sobreviver: se a chave que escolhessem abrisse a cela à sua frente. "Quando ele cata aquela chave, eu recito o salmo 91, e quando ele bate a chave e torce, o cadeado abre, e milagrosamente eu entro pra dentro daquela cela."
Emocionado, Sidney contou que voltou para a criminalidade e para as drogas depois do massacre, quando foi transferido para a penitenciária de Mirandópolis e depois liberto. Anos depois, em uma troca de tiros com uma gangue rival, foi baleado e ficou paraplégico. Na cadeira de rodas, foi preso novamente em um assalto e convertido à igreja evangélica dentro da cadeia. Hoje, Sidney é coordenador de um centro de reabilitação de jovens viciados em drogas. Autor do livro "Paraíso Carandiru", ele ajuda no tratamento de 120 pessoas em uma chácara, em Jundiaí. "O sistema carcerário me fez uma pessoa qualificada para o mundo. Tento reverter a sequela que o Estado me deixou, fazendo o que o Estado não fez."
Fonte: G1
Edição: Antonio Luis

Entenda como funciona o novo Bolão da Caixa


G1 tira dúvidas de partilha de prêmio, volantes e limite de participantes.
Segundo a CEF, bolão não pode ser feito no sistema de 'teimosinha'.



A partir desta segunda-feira (1º), as apostas em grupo já podem ser feitas em qualquer casa lotérica do país. Segundo a Caixa Econômica Federal (CEF), os chamados bolões serão mais seguros do que os que já eram feitos informalmente, "uma vez que cada apostador terá um recibo comprovando a sua participação".
Para entender esse novo sistema de apostas, que já vale para concursos da Mega-Sena, Dupla-Sena, Quina, Loteca e Lotofácil, confira algumas questões levantadas pelo G1 à CEF:
Como participo de um bolão da Caixa?
Existem dois modos. Você pode organizar um bolão com os amigos e depois registrá-lo em uma casa lotérica ou você pode entrar em um bolão feito pela própria lotérica. No bolão com os amigos, os apostadores escolhem os números e registram o jogo em qualquer casa lotérica. Ao ser computado, serão emitidos recibos, os chamados "recibo-cota" - cada participante deve ficar com um. 

Caso a pessoa prefira entrar individualmente em um bolão da própria casa lotérica, ela irá receber normalmente o seu recibo, mas não poderá escolher os números, uma vez que quem os escolhe é o sistema.
Volante adaptado traz campo para apostador indicar o nº de participantes do bolão (Foto: Divulgação CEF)Volante adaptado traz campo para apostador indicar o nº de participantes do bolão (Foto: Divulgação CEF)
Existe um modelo especial de volante para o bolão ou eu posso usar o antigo?
Não existe um modelo especial de volante para os bolões. O que foi feito foi uma adaptação do volante antigo. Agora, além dos números a serem apostados, os volantes adaptados terão um campo a mais, no qual o número de apostadores deve ser indicado.

O volante antigo ainda pode ser usado. Basta o apostador, no momento do registro do jogo, informar ao lotérico que se trata de um bolão e informar também o número de participantes.


O que é uma cota?
A cota é o número de participantes do bolão.

Existe um número máximo de cotas?
Sim, e ele varia de acordo com a modalidade. Na Mega-Sena, as cotas não podem ultrapassar 100. Na Dupla e na Loteca, o máximo de participantes é 50, já na Quina e na Lotofácil (de 17 a 18 números) até 25 pessoas podem participar. Na Lotofácil (de 16 números) apenas 12 pessoas podem fechar um bolão.


No recebido-cota, os apostadores são identificados pelo nome?
Não, o recibo-cota só traz o código do jogo e os números apostados. Nós sempre orientamos as pessoas a escrever, a próprio punho mesmo, o nome e o número do CPF no verso do recibo, para que só ele possa retirar o prêmio, caso sorteado. É importante lembrar que, no primeiro momento, o bilhete é do portador. Por isso, quando eu escrevo no verso o meu CPF e o meu nome, ele passa a ser meu.

Como os números do bolão são escolhidos?
Se o bolão for entre amigos, as pessoas escolhem os números livremente. Caso o bolão seja feito na lotérica, faz-se a surpresinha, ou seja, o sistema escolhe os números.

O apostador pode abrir um bolão e deixar o resto das cotas para ser vendido na lotérica?
Isso é decisão de cada casa lotérica, mas é muito improvável que a lotérica deixe o apostador iniciar um bolão sozinho - o que ele pode fazer é entrar em um que já existe.

O que acontece com as cotas que não são vendidas? 
Elas não são canceladas, elas continuam a valer normalmente.

Se eu estiver em um bolão de, por exemplo, 100 cotas, mas a lotérica só conseguiu vender 50, e o prêmio sair, como ele será dividido? 
O prêmio será dividido pelo número de cotas previsto inicialmente, no caso, 100 cotas. O valor que sobrar ficará para a casa lotérica.

O bolão pode ser feito também na 'teimosinha'?
Não, o bolão só pode ser feito para os concursos próximos, não para futuros.

A pessoa que for entregar o bolão à casa lotérica deve apresentar algum documento de identificação?
Não. A única exigência é que a pessoa informe o número de participantes.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A organização milionária da mulher de Delúbio


Mônica Valente comanda o escritório brasileiro de associação que recebe R$ 7 mi por ano para representar sindicatos

Josie Jeronimo
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DONA DO COFRE 
O ex-tesoureiro do PT (á esq.), Delúbio Soares, diz que depende da mulher,... Mônica Valente, 
para honrar suas despesas. Ela cobra um euro por filiado à associação que dirige

Exonerado do cargo de professor da rede pública de Goiás e vivendo oficialmente darenda de uma imobiliária virtual, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares costuma dizer que depende da mulher para honrar suas despesas. Mas não deve ser com os rendimentos do ofício de psicóloga que Mônica Valente tem conseguido ajudar o marido. Desde a militância à frente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na década de 90, Mônica aprofundou sua atuação profissional no mundo dos sindicatos de servidores. Membro do diretório nacional do PT, a mulher de Delúbio comanda o escritório brasileiro da Internacional do Serviço Público (ISP), entidade que desempenha o papel de intermediário entre os sindicatos de funcionários públicos e organismos globais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A adesão das confederações à ISP custa um euro por filiado. Em conjunto, as 26 confederações filiadas à associação comandada por Mônica Valente repassam para ela R$ 7 milhões por ano das receitas obtidas com o imposto sindical. As informações foram confirmadas à ISTOÉ por dirigentes de entidades ligadas a esse braço brasileiro da organização internacional. 

O destino desse dinheiro todo, porém, é um mistério até mesmo para as entidades que pagam pela filiação. A ISP recebe recursos das confederações que representam os servidores públicos e não presta contas. Por isso, a filiação à ISP gera polêmica na base das confederações. Sindicalistas contrários ao repasse de dinheiro à associação alegam não entender para que serve o dinheiro aplicado na entidade para a representação internacional. Argumentam que os resultados da atuação da organização comandada pela mulher de Delúbio deixam a desejar. Em dez anos de existência, por exemplo, apenas uma denúncia contra cerceamento dos direitos trabalhistas teria sido aceita pela OIT. “Ela não tem participação nas principais causas, não tem programa. É mais uma entidade em que os dirigentes se apegam à estrutura para ter benefícios. Recebe arrecadação das entidades e não tem transparência”, critica Sandro Pimentel, um dos coordenadores da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra). Servidores do Judiciário tentaram impedir na Justiça o desconto nos salários para bancar entidades, que segundo Adilson Rodrigues, diretor do Sintrajud, nem deveriam existir. “É um absurdo descontar um dia do salário do trabalhador para sustentar sindicatos de fachada. Os dirigentes se lambuzam no dinheiro suado do servidor. No dia a dia, a ISP é fictícia. A atuação internacional de um sindicato é algo pontual, não de filiação em tempo integral. Gastamos dinheiro para bancar uma entidade fajuta”, acusa Rodrigues.

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A denominação “internacional” que a associação comandada por Mônica carrega também não combina com a estrutura que o ISP tem no Brasil. Como uma espécie de “franquia” do órgão internacional, a associação registrou CNPJ em São Paulo em 2001, antes da entrada da mulher de Delúbio. Embora tenha mais de dez anos de existência e opere uma verba milionária, a associação que embolsa recursos das confederações sindicais se resume a uma sala no centro da capital paulista e é tocada hoje por apenas duas pessoas. Além de Mônica, a entidade também é representada por Jocélio Drummond. Durante a semana, a reportagem de ISTOÉ procurou a mulher de Delúbio e outros representantes da ISP, mas a secretária da organização insistiu que a entidade não contava com nenhum outro responsável além de Mônica e Jocélio, ambos fora do País, em viagem à Argentina. No papel de representantes dos servidores públicos brasileiros no plano internacional, os dois se revezam realizando palestras, recrutando integrantes das confederações para formar grupos de trabalhos – com o objetivo de discutir temas do funcionalismo – e participando de congressos dos sindicatos filiados. Em eventos da sede da Internacional, eles se apresentam como representantes do escritório brasileiro. Durante a greve dos servidores federais, este ano, a ISP também prestou consultoria às confederações analisando os pleitos dos servidores que seriam apresentados ao governo. “O principal trabalho na ISP é orientar nas demandas do funcionalismo e discutir o direito de greve”, diz João Domingos, presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), entidade que reúne 2,5 milhões de funcionários de órgãos municipais, estaduais e federais. 

Mônica Valente não é novata no meio sindical. Antes de assumir a defesa de causas do serviço público, ela militou na ONG Instituto Observatório Social (IOS), ligada à CUT. O IOS atua hoje como parceiro da associação da mulher de Delúbio. Em 2011, o instituto recebeu R$ 200 mil da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e o mesmo valor da Petrobras para ação de comunicação institucional. Agora, no entanto, Mônica manipula um orçamento bem mais polpudo. A maior parte dos recursos milionários que bancam a entidade vem de descontos do contracheque de servidores públicos federais para as confederações.

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A obri­gação de dar um dia trabalhado por ano aos movimentos sindicais está prevista na Constituição. Mas um processo em tramitação no Tribunal de Contas da União (TCU) questiona a legalidade da transferência de dinheiro para as confederações de representação do serviço público, cujos funcionários não são regidos pela CLT. Servidores também entram na Justiça para questionar o desconto. Mesmo assim, entidades como a administrada por Mônica Valente recebem mais de R$100 milhões todos os anos.
Fonte: Revista ISTOÉ Online
Edição: Antonio Luis