terça-feira, 26 de julho de 2011

Dilma firma pacto contra miséria com governadores e prefeitos nordestinos

A presidente Dilma Rousseff firmou, nesta segunda-feira (25/7), com os nove governadores da Região Nordeste, um pacto pela erradicação da miséria. O pacto formaliza o compromisso dos estados e municípios em cooperar com a execução das ações do Plano Brasil sem Miséria.

Junto dos governadores, no município de Arapiraca (AL), a presidente Dilma Rousseff disse que, durante muitos anos, a miséria ficou fora da pauta política brasileira e que superar esse flagelo na Região Nordeste é, agora, uma prioridade.

A atenção especial à região se justifica, segundo Dilma, porque dos 16 milhões de brasileiros que vivem na extrema pobreza, 9,6 milhões estão nos estados nordestinos. “Sabemos que a miséria no Brasil não constava na pauta política ou era relegada a estudo e não era considerada uma questão legítima”, disse Dilma. “Não descansaremos enquanto não conseguirmos fazer com que o povo do Nordeste tenha perspectiva de sair da condição de miséria em que ainda se encontra”.

Como cabe aos municípios identificar as famílias aptas a participar do Brasil sem Miséria, a presidente fez um apelo aos prefeitos e governadores de estado. “O Brasil sem Miséria tem nos prefeitos seus grandes protagonistas. E sem os governadores, esse programa não dará o salto que queremos até 2014. Vamos ter que enfrentar as características regionais da miséria se quisermos resolvê-las”, ressaltou Dilma.

Ao falar sobre a parceria entre o governo e a iniciativa privada para que os supermercados comprem os produtos de agricultores familiares extremamente pobres, Dilma disse que quer ver os produtos com a marca Brasil sem Miséria conhecidos nas gôndolas dos supermercados. “Os consumidores poderão participar usando seu poder de compra e privilegiando essa agricultura”. As primeiras aquisições serão de farinha de Alagoas, laranja de Sergipe e de geleias e doces produzidos na Bahia.

A visita de Dilma a Arapiraca também marcou o lançamento do Plano Brasil sem Miséria - Nordeste. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, explicou que o plano tem um olhar regional e que, assim como foi lançado hoje na Região Nordeste, também será lançado na demais regiões do país. “Vamos para as outras regiões reafirmar o compromisso do governo federal, inclusive, com o custeio”.

A presidente Dilma ainda lançou o programa Água para Todos, que irá levar água às famílias extremamente pobres que vivem em áreas rurais no Semiárido Nordestino. Também foi anunciada a segunda chamada pública para a contratação de 204 técnicos rurais que vão atender a famílias de agricultores extremamente pobres do Nordeste.


Fonte: Correio Braziliense
Edição: Antonio Luis

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Propina no Dnit financiou até amante, diz inquérito


A faxina da presidente Dilma Rousseff no cérebro do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em Brasília deixou intocados, até aqui, os braços do órgão nos Estados, alvos de mais de uma dezena de investigações, informa reportagem de Andreza Matais,Breno CostaDimmi AmoraJoão Carlos MagalhãesJosé Ernesto Credencio eRubens Valente, publicada na Folha desta segunda-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Pelo menos 12 das 23 superintendências regionais são objeto de inquéritos do Ministério Público e da Polícia Federal. Apesar de o PR controlar o ministério desde 2003, os problemas nos Estados também envolvem indicados por outros partidos.
No Ceará, por exemplo, 27 funcionários públicos, parentes e empreiteiras foram denunciados por procuradores da República em maio deste ano por improbidade administrativa, sob a suspeita de praticar fraudes no Dnit local, comandado pelo PR. Segundo o Ministério Público Federal, as empresas tinham escritório no Dnit. A denúncia diz que elas pagavam "mensalão" a dirigentes do órgão, até 2010 comandado por Joaquim Guedes Neto.Segundo o inquérito, baseado em escutas telefônicas, uma empreiteira pagou até o conserto de carro para uma pessoa classificada como amante de um supervisor do Dnit em Fortaleza.
O órgão informou que toma todas as providências necessárias em relação às suspeitas levantadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, e disse que os servidores de carreira responsabilizados por ilegalidades vão responder a processo administrativo.
Sobre as indicações políticas, o Dnit informou que as nomeações para as superintendências são feitas pelo ministro dos Transportes, com o aval da Casa Civil.
Leia mais na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.
Editoria de Arte/Folhapress
Fonte: Folha.Com
Edição: Antonio Luis

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Efeito rápido é atrativo de nova pílula para impotência


Um comprimido para disfunção erétil com sabor de menta e que se dissolve na boca acaba de ser lançado no mercado brasileiro.
A nova versão do Levitra (vardenafila), da Bayer, vem em embalagem "discreta", para parecer mais um chiclete do que um remédio.
Sua absorção é mais rápida do que a do comprimido comum. A partir de 15 minutos após o consumo, os efeitos já começam, contra 40 minutos da pílula tradicional.
Em março, a Pfizer, fabricante do Viagra, lançou uma versão mastigável, também com sabor menta, no México. Batizado de Viagra Jet, o comprimido ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
A Eli Lilly, fabricante do Cialis (tadalafila) fez sua investida no ano passado, quando criou uma forma de uso diário do remédio.
Isso dispensa o homem de ter que planejar o ato sexual, porque a ação da droga é constante.
Editoria de arte/folhapress
Segundo o urologista André Cavalcanti, professor da Unirio (Universidade Federal do Estado do RJ), a ação mais rápida dos comprimidos solúveis e o fato de que eles dispensam o copo de água são vantagens, mas isso não muda a qualidade do efeito para o paciente. "Facilita o acesso e tira a conotação de medicação, o que pode até estimular o uso recreativo. Mas não muda muita coisa. É uma opção de diferenciação da marca frente aos genéricos."
A patente do Viagra, expirada em abril de 2010, permitiu a venda dos genéricos da sildenafila, princípio ativo do remédio.
Segundo Odnir Finotti, presidente da PróGenéricos, há comprimidos hoje vendidos por R$ 5. O Viagra é encontrado por cerca de R$ 12 a unidade nas farmácias.
Finotti diz que a criação de novas versões dos comprimidos é uma tentativa de criar nichos para atrair o consumidor. "Mas o importante é o preço: será que as pessoas vão conseguir pagar?"
USO DIÁRIO
Para o urologista Celso Gromatzky, do Hospital Sírio-Libanês, os remédios solúveis aumentam o conforto dos pacientes, mas foi o lançamento do comprimido de uso diário que mais os ajudou. "Alguns pacientes têm um grau de ansiedade tamanho que não conseguem administrar o uso do comprimido sob demanda [antes da relação sexual]."
O uso diário da tadalafila de 5 mg é seguro, segundo o médico, desde que não haja contraindicação. "Temos experiência de uso dessas drogas com doses mais altas para recuperação de pacientes após cirurgia de próstata."

Fonte: Folha.com
Edição: Antonio Luis

PAI FAZ FILHO REFÉM PARA PAGAR DÍVIDA DE DROGA EM TERESINA


Policiais da Rone (Ronda Ostensivas de Natureza  Especias) atenderam nesta quinta-feira o chamado de uma família desesperada. Gilfran de 23 anos, fez seu filho de apenas três anos refém. Ele queria a quantia de R$ 10 para pagar dívida do tráfico de drogas, no bairro Três Andares, zona Sul de Teresina.
Usuário de crack, Gilfran estava a todo momento com uma faca apontada no pescoço do filho e estaria exigindo a pequena quantia de R$ 10 até as 19h de quinta-feira (21) ou mataria seu filho.
O garoto vive com a mãe no bairro Promorar, mas estaria passando dia na casa do pai.
Segundo testemunha, o pai ameaçou o filho para se proteger da polícia. Com a chegada dos policiais do Rone ele liberou a criança e fugiu em seguida.
O Rone fez as buscas pela região, mas não encontrou o acusado que fugiu por cima dascasas.
Veja o vídeo

Fonte: Ieldyson Vasconcelos/Tv Meio Norte
Edição: Antonio Luis

Quase 6 anos após assalto ao BC no Ceará, vizinhos relatam medo


Suspeitos levaram R$ 164,7 milhões no dia 9 de agosto de 2005.
Na semana de estreia do filme sobre caso, moradores evitam o tema.

Leonardo HefferDo G1 CE
Imóvel serviu, por três mes, como falsa sede de uma empresa de revenda de grama sintética registrada na junta comercial do Ceará. (Foto: Leonardo Heffer/G1)Imóvel serviu, por três meses, como falsa sede de uma empresa de revenda de grama sintética registrada na junta comercial do Ceará. (Foto: Leonardo Heffer/G1)
Na semana de estreia do filme que retrata o assalto ao prédio do Banco Central, o G1voltou ao 1.071 na Rua 25 de Março, no Centro de Fortaleza, de onde começava o túnel escavado por criminosos para chegar ao cofre do Banco Central assaltado há cerca de seis anos. “Não está gravando não, né?”, assim começaram quase todas as conversas dos vizinhos da casa com a reportagem.
O filme ''Assalto ao Banco Central'', dirigido por Marcos Paulo, estreia nesta sexta-feira (22), e relembra a história do maior assalto a banco do País. Com receio de que os criminosos façam alguma represália, os moradores preferem esquecer os dias que antecederam o 9 de agosto de 2005.
“Ninguém sabe se todos foram presos ou não. E são pessoas que não conhecemos. Então ninguém sabe o que pode acontecer com a gente não é?”, diz um dos vizinhos, que prefere não ser identificado. “Foi uma coisa cinematográfica”, diz outro vizinhos. “Foi incrível mesmo. Ninguém viu nenhum movimento estranho, nada. Nem durante o dia nem durante a noite”, comenta o vizinho.

Por um túnel de 80 metros que começava em um dos cômodos da casa, suspeitos passaram por debaixo de várias residências e estabelecimentos comerciais e até mesmo de uma das avenidas mais movimentadas de Fortaleza, a Avenida Dom Manuel. Eles conseguiram o objetivo: chegar ao cofre do Banco Central, de onde levaram R$ 164,7 milhões.

A casa permanece fechada. Atualmente o imóvel tem fachada nas cores branca com azul no lugar do verde da época do roubo. “O dono vem só a noite”, dizem alguns moradores. O vizinho da casa, que de acordo com moradores é da família do dono do imóvel, se aborrece quando o assunto é o assalto. “Não temos mais nada a dizer sobre isso. A casa permanece fechada desde o assalto, não foi alugada”. Quando questionado se o dono vem ver a casa com frequência, ele se limita apenas a confirmar, mas sem dizer a frequência.

Vizinhos também não sabem dizer quando o dono da casa vai ao local. “Já o vi de manhã, ele entra verifica como está a casa e vai embora”, diz outra vizinha que pede para não ser identificada.
Fonte: G1
Edição: Antonio Luis

Prefeito proíbe reclamações sobre atraso de salários no interior de SP


Em Martinópolis, salários são pagos de acordo com iniciais dos nomes.
Decreto do prefeito proíbe que funcionários falem sobre o problema.

Depois de pagar os salários dos funcionários com base na inicial do nome, a Prefeitura de Martinópolis, no interior de São Paulo, decidiu proibir os servidores de falar sobre os atrasos nos pagamentos. A determinação foi feita através de um decreto do prefeito Waldemir Caetano de Souza.
A menos de dez dias do fim do mês, 218 funcionários da prefeitura continuam trabalhando sem receber os salários. Desde outubro do ano passado os salários têm sido pagos com atrasos. Neste mês, a cidade usou um critério polêmico para fazer os pagamentos: a letra inicial do nome do servidor, partindo da letra z.
O prefeito da cidade, que tem seu nome iniciado com a letra w, já recebeu seu pagamento. “O fato de que pagou do z ao m foi simplesmente o que saiu no sorteio, não teve participação do prefeito. O fato dele ter recebido foi simples coincidência”, disse Margarete Hermsdorff, diretor da de administração.
O decreto proíbe que os funcionários públicos falem de assuntos pessoais, como salários, façam reclamações ou organizem manifestações durante o horário de trabalho.
Segundo o advogado trabalhista Evandro Ferrari, o decreto e o pagamento de apenas parte dos salários com critérios são inconstitucionais. “É um excesso, e atenta contra direitos de liberdade, de manifestação”, afirmou.
“Eu acredito que o funcionário tem razão e acho que as manifestações têm que acontecer. Mas dentro da nossa cidade, dentro de uma proporção que não leve um nome na mídia como levou, porque daí eu tenho que tomar atitudes que realmente não são boas pelo próprio funcionalismo”, disse o prefeito.
A presidente do Sindicato dos Servidores de Martinópolis protocolou uma denúncia contra a prefeitura no Ministério Público do Trabalho.
Fonte: G1
Edição: Antonio Luis

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Morte Sem Corpo: Macarrão diz que sangue encontrado no carro de Bruno era de Eliza

Amigo e ex-secretário de Bruno, Macarrão disse que não falou antes sobre esse fato porque seus advogados não permitiram que ele falasse em juízo. A declaração confirma o que a Polícia Civil mineira já comprovara por meio de exames de DNA. Macarrão não falou em que condições esse sangue apareceu no carro.


Mais de um ano após o desaparecimento e possível morte de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes de Souza, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, disse à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas que o sangue encontrado no carro do jogador era mesmo da mulher desaparecida.

Mastrangelo Reino-16.jul.10/Folhapress
Luiz Henrique, o Macarrão, amigo e funcionário de Bruno, suspeito de ter particapado do suposto assassinato de Eliza
Luiz Henrique, o Macarrão, amigo e funcionário de Bruno, suspeito de ter particapado do suposto assassinato de Eliza
Macarrão foi ouvido pelo deputado estadual Durval Angelo (PT) após a comissão ter sido chamada para ouvir relatos sobre supostas ameaças que Macarrão estaria sofrendo na prisão.
No depoimento que deu à juíza Marixa Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem (MG), em novembro passado, Bruno já havia falado sobre o sangue no carro. Na ocasião, ele atribuiu o fato a um suposto ferimento em Eliza por causa de um soco que um adolescente teria dado na sua ex-amante.
A versão de Bruno, porém, não bate com a versão dada pela polícia para os fatos. Na história contada por ele à juíza, Macarrão foi pegar Eliza em um hotel no Rio de Janeiro para levá-la ao apartamento do goleiro, porque sua ex-amante teria concordado em ir, por vontade própria, a Belo Horizonte no dia seguinte. O primo adolescente dele estava no carro e se desentendeu com Eliza, dando-lhe um soco. Bruno disse que essa versão lhe foi contada por Macarrão.
Foi depois que Macarrão retirou Eliza do hotel e a levou para um restaurante, na companhia do adolescente, que ocorreu a briga dentro do carro, uma Land Rover, onde a perícia encontrou sangue da ex-amante do jogador.
Bruno disse que na briga o nariz dela sangrou, e o braço do adolescente também ficou ferido.
Na noite seguinte, ao chegar em casa após o jogo do Flamengo, Bruno disse que estavam na sua casa a ex-namorada Fernanda Gomes de Castro, Macarrão, o adolescente, Eliza e o bebê. Foi aí, conforme disse, que soube dos detalhes do acontecera no dia anterior.
A partir disso, alegou que Eliza passou a exigir R$ 50 mil. Disse que ofereceu R$ 30 mil e ela aceitou, mas por não confiar que ele depositaria o dinheiro, decidiu viajar para Belo Horizonte. Segundo Bruno, ela pegaria o dinheiro e iria viajar.
Alex de Jesus/O Tempo/Folhapress
Goleiro Bruno Fernandes fala sobre suposta extorsão de juíza na Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Goleiro Bruno Fernandes fala sobre suposta extorsão de juíza na Assembleia Legislativa de Minas Gerais
O adolescente primo de Bruno, que cumpre medida sócio-educativa em uma instituição em Belo Horizonte, depois de mudar por diversas vezes seus depoimento, disse perante a Justiça que agrediu Eliza dentro do carro quando estavam na estrada para Belo Horizonte, não no Rio.
A polícia sustenta que o sangue na Land Rover é a prova de que Eliza foi sequestrada pelos acusados do crime e depois morta. Todos eles negam essa versão.
Bruno e Macarrão estão presos desde julho do ano passado. Cumprem prisão preventiva na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (região metropolitana de BH). Ele e mais oito pessoas são acusadas pelo envolvimento no sequestro, suposto assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio.
Também estão presos Sérgio Rosa Sales (primo de Bruno) e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola (ex-policial e suposto autor do homicídio). Eles devem ir a júri popular no ano que vem.

Fonte: Folha.com
Edição: Antonio Luis

Parente de Valdemar Costa Neto diz que ele "faz e acontece em Brasília"

Meio-irmão e desafeto do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), com quem disputou na Justiça parte da herança da família, o advogado e professor de direito Frederico Augusto dos Santos Costa, 34 anos, conta nesta entrevista ao Correio como o parlamentar, mandachuva no Partido da República (PR), recuperou o prestígio na região de Mogi das Cruzes (SP), sua base eleitoral, depois do caso do mensalão. Valdemar é réu no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF). A arma do deputado foi usar a influência no Ministério dos Transportes, segundo Frederico. “Ele vem e fala que faz e acontece, que manda e desmanda, que é a pessoa que pode trazer dinheiro de Brasília.” O irmão de Valdemar diz que, para reforçar a ingerência no ministério, o deputado levou de Mogi a Brasília pessoas como Frederico Augusto de Oliveira Dias, que atuava no Dnit sem ser contratado, a mando do parlamentar. Valdemar e Frederico têm o mesmo pai: Waldemar Costa Filho, ex-prefeito de Mogi e morto em 2001. Frederico é filho de um caso extraconjugal de Waldemar com a manicure Isaura dos Santos, hoje aposentada. Procurada pelo Correio, a assessoria de imprensa do deputado Valdemar Costa Neto afirmou que ele está de férias e não teria intenção de comentar as declarações do meio-irmão.


"Ele vem e fala que manda e desmanda, que é a pessoa que pode trazer dinheiro de Brasília. Ninguém imaginava que ele trazia recursos querendo levar um percentual. Isso ele não contava"
Como Valdemar vem atuando na região desde o mensalão?
Ele deu uma sumida depois do escândalo. Deixou a poeira baixar e começou a voltar aos poucos. Já tinha conseguido estabelecer um vínculo bom com o prefeito da cidade. Antes, todo mundo tinha vínculos com ele, mas escondia, porque politicamente não era interessante tê-lo aparecendo. Na última campanha, foi uma briga para dizer quem estava com ele, para tentar desmoralizar o adversário. Valdemar foi retomando a visibilidade. Fez algumas emendas orçamentárias para Mogi das Cruzes, inclusive para obras dos viadutos da linha férrea, que já estão em fase de projeto. A cidade é cortada ao meio por uma linha de trem. Valdemar conseguiu recursos para três viadutos. É preciso que se investigue isso. Quem veio com Valdemar liberar o dinheiro, representando o governo federal, foi o Fred (Frederico Augusto de Oliveira Dias, servidor terceirizado demitido do Dnit).

Ficou claro que essa liberação ocorreu por influência de Valdemar?
Ele gritou para os quatro cantos de Mogi que foi ele que trouxe os viadutos. Agora ocorre uma discussão na cidade. Não se sabe se o dinheiro chegará por causa dos problemas no Ministério dos Transportes.

Você percebeu uma evolução do patrimônio financeiro do seu irmão desde o escândalo do mensalão?
Eu sei que ele tem um patrimônio que não tem origem. A pessoa não teve herança, não ganhou na loteria, não fez nada. Como esse patrimônio pode ter origem? Isso causa estranheza.

Você conversa com ele?
Não, desde sempre. O pai que a gente tem em comum não queria que tivéssemos contato. Quando passei a ter uma certa idade e ver a conduta, nunca tive interesse, nem tenho.

Como Valdemar demonstrava a influência dele no Dnit e no Ministério dos Transportes?
Ele vem e fala, com todas as palavras, que faz e acontece, que manda e desmanda, que é a pessoa que pode trazer dinheiro de Brasília. Ninguém imaginava que ele trazia recursos para a cidade querendo levar um percentual. Isso ele não contava. Ele demonstrava força por meio de pessoas como o Fred e outras da cidade, que trabalham diretamente no ministério ou nesse esquema de empresas terceirizadas. Todo mundo acreditava que o Fred era funcionário. Eu o conheço e acreditava que ele fosse um funcionário efetivo. Aqui em Mogi das Cruzes, ele participou da cerimônia dos viadutos e até assinou alguma coisa.

Como era a atuação de Frederico Augusto de Oliveira na cidade?
Ele presidiu por pouco tempo um clube de futebol, foi candidato a vereador por duas vezes e candidato a vice-prefeito. Depois deu uma sumida. Eu acredito que existem outras pessoas que também fazem o tipo de coisa que o Fred fazia. Elas foram para Brasília e aí ficaram. São pessoas de mais idade, com um vínculo bem maior de amizade com Valdemar. Se investigar, sai muita coisa.

Valdemar apareceu na cidade neste momento de crise no Ministério dos Transportes?
Ele não é uma figura de ficar circulando em Mogi. Tem um escritório aqui, mora na cidade, mas não é figura que se veja. Nos últimos tempos, vinha tentando retornar, pois aqui sempre foi a base eleitoral dele. Na eleição que renunciou e voltou, teve a pior votação. Valdemar passou a falar que é inocente, que será absolvido no mensalão, ressurgir das cinzas. Conseguiu ter a votação necessária. Veículos de comunicação locais passaram a dar espaço a ele, prefeitos o atendiam. Não era mais feio ter o Valdemar no gabinete, numa liberação de verba. Agora vai sumir de novo. Ninguém quer mais.


Fonte: Correio Braziliense
Edição: Antonio Luis