Na lista das profissões em extinção num Brasil que se moderniza, está o carroceiro. Os poucos que resistem evocam gravuras de Debret (1768-1848), o pintor francês que fez a crônica visual do Brasil Colônia. No tempo de Debret, eles transportavam tonéis de água num Rio de Janeiro onde não havia saneamento básico. No Brasil de hoje, puxam pesadas carroças de lixo reciclável, em troca de vencimentos que raramente chegam ao salário mínimo. Na cidade mineira de Betim, município da Grande Belo Horizonte, um carroceiro ganha em média R$ 600 por mês. Para ele, R$ 280 fazem diferença no orçamento. É essa a quantia que o candidato Carlaile Pedrosa (PSDB) paga a carroceiros em troca de apoio político – como mostra um vídeo obtido com exclusividade por ÉPOCA e que evoca, na era da urna eletrônica, o Brasil do tempo das carroças. As imagens abaixo mostram Carlaile, postulante à cadeira de prefeito de Betim, chegando de carro a um bairro pobre da cidade. Logo depois, uma correligionária dele se encontra com carroceiros. Tira do envelope um maço de dinheiro. Eles ficam felizes. “Só de o pagamento ser em dinheiro já tá bom demais. Da outra vez foi em cheque”, afirma um deles. “Vai ter mais 140 ou é só este?”, diz outro – e é imediatamente informado de que receberá a mesma quantia depois do pleito, caso Carlaile seja eleito. As imagens evocam, tristemente, o folclore do tempo dos coronéis, quando lavradores descalços recebiam o pé direito do sapato antes da eleição, e o pé esquerdo depois, apenas no caso de vitória do candidato.
Rio de Janeiro de 2012, cidade que se prepara para receber uma Olimpíada e uma final da Copa do Mundo, também tem práticas eleitorais que lembram o Brasil das carroças. Um relatório obtido com exclusividade por ÉPOCA revela como as milícias – brigadas fora da lei que vendem proteção e outros serviços em bairros pobres – cobram pedágio de candidatos que querem fazer campanha em seus “territórios”. De acordo com a apuração comandada pelo procurador da República Maurício da Rocha Ribeiro, chefe do Ministério Público Eleitoral no Estado do Rio de Janeiro, o preço-padrão cobrado de candidatos a prefeito é R$ 10 mil, enquanto os vereadores têm de pagar R$ 4 mil. As milícias se concentram na Zona Oeste da capital carioca e na Baixada Fluminense. As investigações partiram de um relatório do disque-denúncia – que recebeu 126 queixas de irregularidades nas eleições, 25 delas apontando envolvimento de candidatos com milícias e outras 25 com traficantes de drogas. Nas regiões dominadas por esses traficantes, o pedágio é ainda mais caro – pode chegar a R$ 50 mil.
Cada apostador do bolão terá seu próprio recibo da aposta,
diz Caixa. 'Ideia é dar facilidade e segurança a uma prática estabelecida'
Vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Fábio Ferreira Cleto (Foto: Lilian Quaino/G1)
O tradicional bolão, que acontece quando um grupo de apostadores se reúne para tentar a sorte na mesma aposta ou quando as próprias lotéricas criam jogos para vender cotas, vai se tornar oficial: uma modalidade de apostas nas loterias da Caixa Econômica Federal - o Bolão Caixa.
Até agora, a prática não era reconhecida pela Caixa Econômica Federal.
A previsão é que o Bolão Caixa comece a funcionar a partir de 1º de outubro, segundo anunciou nesta sexta-feira (14) o vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Fábio Ferreira Cleto. A modalidade pode ser usada para apostar na Mega-Sena, na Dupla Sena, na Quina, na Loteca, na Lotofácil (16 números) e na Lotofácil (17 e 18 números).
Com a regulamentação, a aposta em bolão pode ser oferecida pelas lotéricas de forma regular. As casas poderão cobrar ágio de até 35% sobre o valor da aposta como taxa de serviço pela organização do bolão e o apostador que comprar uma cota saberá quanto do valor equivale à taxa de serviço, explica Cleto.
“Com o bolão já regulamentado pela Caixa atendemos as demandas. Agora, cada apostador tem seu recibo de participação no bolão, que é a garantia que a Caixa dá de que o apostador vai receber o prêmio. Essa era a grande restrição da Caixa em relação ao bolão”, disse.
Segundo Cleto, para garantir segurança e transparência aos apostadores, o Bolão Caixa é feito no próprio sistema das loterias, com uma tecnologia criada para esse tipo de aposta. Os recibos das apostas do Bolão Caixa serão impressos de forma individual (recibos de cota) para cada apostador participante. Nos volantes constarão as informações de que aquela aposta é em forma de bolão, por quantas cotas a aposta é formada e o número que identifica o apostador dentro do grupo.
Recibo de cotas
Em caso de premiação, cada apostador tem seu próprio recibo de cota premiado, e receberá seu prêmio quando quiser e no local que escolher, de acordo com o prêmio: até R$ 800, em qualquer lotérica, e acima deste valor, apenas nas agências da Caixa, explicou Cleto.
No Bolão Caixa, o número mínimo de cotas é dois, e o máximo é cem, mas há diferenças entre os tipos de jogos. Na Mega-Sena, o máximo é cem cotas; na Dupla Sena, 50 cotas; na Quina, 25 cotas; na Loteca, 50; na Lotofácil de 16 números, 12 cotas ; e na Lotofácil de 17 e 18 números, 25 cotas.
A partir de 1º de outubro, os volantes normais dessas modalidades passarão a exibir um novo campo, impresso especialmente para quem opta pelo bolão.
Valor mínimo de R$ 10
O valor mínimo para se apostar numa loteria na modalidade Bolão Caixa é de R$ 10, e o máximo de jogos por recibo de apostas é de dez. Todas as cotas terão o mesmo preço, a mesma probabilidade de ganho e o mesmo prêmio, no caso de o bolão ser premiado.
No fim do ano ou no início de 2013, a Caixa quer iniciar apostas em suas loterias pela internet para qualquer apostador, e não apenas para correntistas da caixa, anunciou Cleto. Na sequência, a Caixa pretende desenvolver aplicativos de apostas para celulares.
Sem fazer barulho, Tribunal Superior Eleitoral libera
candidatura de político que teve as contas de sua gestão
rejeitadas. A decisão atinge a alma da lei da ficha limpa
e cria jurisprudência que pode beneficiar dez mil candidatos
barrados
Izabelle Torres e Josie Jeronimo
Considerada o caminho mais curto para livrar a política brasileira dos maus gestores e de gente acostumada a se apropriar de dinheiro público, a lei da ficha limpa começou a valer este ano, mas, na semana passada, uma resolução sem muito alarde do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) colocou sua aplicação sob ameaça. O TSE decidiu que o fato de um administrador ter as contas de sua gestão rejeitadas não é motivo para impedi-lo de ser candidato. Os ministros entenderam que a inelegibilidade somente pode ser declarada se houver provas suficientes de que o político teve culpa pelos desvios ou falhas no uso de recursos públicos. A decisão que atingiu a alma de uma das mais populares leis brasileiras foi tomada durante a análise da ação que impugnou a candidatura do vereador de Foz do Iguaçu, Valdir de Souza Maninho, por ordenamento irregular de despesas quando ele era secretário de Esportes do município. O TSE liberou o candidato alegando que o Tribunal de Contas não comprovou sua culpa. O mais paradoxal é que a jurisprudência criada prejudica a execução da ficha limpa no exato momento em que o próprio TSE investe mais de um milhão de reais em campanhas no rádio e na televisão em defesa da lei.
A interpretação abre uma brecha que pode beneficiar cerca de dez mil candidatos barrados com base no artigo da lei que exige a aprovação de contas durante gestões anteriores. “Foi aberto um flanco destrutivo na lei e isso partiu de quem menos se esperava: do próprio tribunal. A decisão dos ministros terá um efeito danoso porque a rejeição de contas é o principal item da norma, é o coração dela”, reclama o juiz eleitoral Marlon Reis, um dos maiores articuladores da lei da ficha limpa. No Rio Grande do Norte, por exemplo, nada menos do que 95% dos candidatos barrados podem se livrar dos processos. “Os ministros dilaceraram o papel e a importância das decisões dos órgãos de controle”, comenta o procurador do Rio Grande do Norte, Carlos Thompson. Em outros Estados, como Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, as falhas na aplicação de recursos públicos são responsáveis por mais da metade dos pedidos de indeferimentos de candidaturas.
A lista de casos que guardam semelhanças à do vereador de Foz do Iguaçu é extensa e inclui especialmente prefeitos que tentam reeleição e ex-prefeitos em busca de um novo mandato. Em todo País, não faltam exemplos de quem agora têm boas chances de obter sucesso nos recursos ou até de inibir ações de opositores que insistam em falar desses processos. O senador Cícero Lucena (PSDB-PB), por exemplo, enfrenta a reação de adversários na disputa pela prefeitura de João Pessoa, que tentam impugnar sua candidatura no TSE com base em duas condenações do Tribunal de Contas da União referentes à gestão na capital paraibana. Problemas semelhantes enfrentam outros integrantes do Congresso Nacional. O deputado federal Oziel Oliveira (PDT-BA) tenta voltar ao comando da pequena Luís Eduardo Magalhães, apesar de ainda responder por irregularidades em um convênio assinado em 2004, quando era prefeito. Mesmo condenado pelo TCU, o deputado federal José Vieira (PR-MA) também disputa a prefeitura de Bacabal.
Um dos entraves à aplicação da lei da ficha limpa é que, ao exigir provas sobre a culpa dos gestores no mau uso de recursos públicos, o TSE entende que caberia aos Tribunais de Contas avançarem nas análises técnicas e nas argumentações jurídicas a ponto de produzirem provas, o que não é uma prerrogativa desses tribunais. Além disso, o TSE provoca insegurança jurídica ao dar argumentos aos políticos ficha suja a recorrer da condenação. Em alguns Estados, esses recursos podem anular completamente os efeitos da ficha limpa, uma vez que quase a totalidade dos pedidos de impugnação foi feita com base em pareceres técnicos de Tribunais de Contas.
Em resposta às reações contrárias, o TSE alega apenas que a exigência de provas mostrando a culpa dos gestores está prevista na própria lei. Para o ministro Arnaldo Versiani, quando a decisão do Tribunal de Contas não menciona a existência de dolo, “merece prevalecer o direito à elegibilidade”. “O problema é que esse argumento não leva em conta o fato de que esses tribunais fazem apenas a análise técnica”, contrapõe o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti.
Essa não é a única decisão do TSE comemorada por políticos encurralados pela Justiça. Em junho, os ministros determinaram que a rejeição das prestações de contas de campanhas eleitorais anteriores não é motivo de impugnação de candidaturas. A decisão dividiu a Corte e foi desempatada pelo ministro Dias Toffoli. O próprio Arnaldo Versiani foi criticado por ter definido que a responsabilidade por julgar a legalidade dos gastos dos prefeitos é das Câmaras Municipais e não dos Tribunais de Contas. O ministro ignorou o fato de que esses julgamentos, quando feitos por vereadores, se baseiam em critérios políticos e negociações partidárias. Práticas que, como tantas outras, poderiam ser expurgadas do País, não fossem decisões que colocam em risco os avanços da democracia.
Legislação prevê que caminhoneiros parem para dormir 11 horas por dia. Segundo órgão, polícias rodoviárias dirão em quais estradas vão multar.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou uma resolução nesta quarta-feira (12) pela qual as polícias rodoviárias já podem multar, em algumas rodovias, caminhoneiros que não cumprirem a Lei 12.619/2012, em vigor desde julho, segundo informou a assessoria de imprensa do órgão.
A nova legislação obriga os caminhoneiros a pararem para descanso ao menos 11 horas por dia.
Os representantes da categoria reivindicam a ampliação da chamada "fiscalização educativa", cujo prazo se encerrou nesta terça. Esta quarta é a data prevista para o início da "fiscalização punitiva", pela qual os transportadores que não cumprirem as exigências da lei estarão sujeitos a multas.
A resolução do Contran que permite a aplicação das multas estabelece, no entanto, que a regra só poderá ser aplicada em rodovias com estrutura necessária para que o caminhoneiro possa fazer a parada.
Nota divulgada pela assessoria do Ministério das Cidades informa que "o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou, nesta quarta-feira (12/09), uma resolução que recomenda a fiscalização dos motoristas profissionais apenas nas rodovias que tenham condições do cumprimento da Lei 12.619/2012. Esta lei determina o tempo de direção e descanso em pontos de parada nas vias federais".
O Contran estipulou prazo de até 180 dias para os ministérios dos Transportes e Trabalho publicarem no "Diário Oficial da União" uma lista com as rodovias com as condições necessárias para parada e descanso dos motoristas.
Segundo a lei, os locais devem ter condições sanitárias e de conforto, com alojamentos e refeitórios, conforme normatizado pelo Ministério do Trabalho.
"No nosso entendimento, a resolução suspendeu aplicação de multas pelos próximos 180 dias. Para a gente, a questão foi resolvida. Vou orientar os caminhoneiros a fazerem as viagens normalmente", afirmou Nélio Botelho, presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, que representa caminhoneiros de todo o país.
A assessoria do Contran explicou que, enquanto a lista não ficar pronta, as superintendências estaduais da polícia rodoviária poderão definir em quais rodovias caberá aplicar a norma.
A assessoria não informou qual critério será utilizado para determinar quais são essas rodovias nem como essa comunicação será feita aos caminhoneiros.
No nosso entendimento, a resolução suspendeu aplicação de multas pelos próximos 180 dias. Para a gente, a questão foi resolvida. Vou orientar os caminhoneiros a fazerem as viagens normalmente."
Nélio Botelho, presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro
A assessoria da Polícia Rodoviária Federal informou que ainda não há uma posição sobre como e em quais rodovias se dará a atuação do órgão.
No final de julho, caminhoneiros fizeram greve contestando a lei 12.619/2012. Eles alegam que as estradas não têm locais apropriados para pouso e que a exigência implicaria também em prejuízo financeiro para a categoria. Diante da reclamação dos caminhonheiros, o governo tinha decidido não aplicar multas por um prazo de um mês, que venceu nesta semana.
O Contran se reuniu na manhã desta quarta-feira (12) para decidir como a lei seria aplicada, já que os representantes dos caminhoneiros continuam argumentando que não conseguem cumprir as normas.
Deputados
O integrante da Comissão de Agricultura e coordenador da Bancada do Transporte Rodoviário de Carga da Câmara, deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), esteve na manhã desta quarta-feira com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Foi ela quem intermediou o pedido de adiamento da fiscalização punitiva entre os deputados e o Contran.
A Bancada de Transporte Rodoviário de Cargas pretende alterar a lei por meio de um novo projeto de lei. Para isso, os parlamentares pedem a instalação de uma comissão especial.
“O Congresso Nacional fez uma lei que não deu certo. Nós vamos modificar, esse é o objetivo. Faremos um novo projeto que modifica a lei não na totalidade, mas algumas coisas”, afirmou Marquezelli.
Os parlamentares pretendem diminuir o descanso noturno de 11 para 6 horas. Além disso, querem tornar mais elástico o prazo para os repousos ao longo do dia. Ao invés de descanso de 30 minutos a cada quatro horas, passaria para repouso de 15 minutos em um prazo de 2 a 5 horas.
“Como fixar o tempo de quatro horas, sendo que o motorista estará no meio da estrada, sem condições de parar?”, indagou Marquezelli.
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela assessoria do Ministério das Cidades no site do Contran:
Contran recomenda fiscalização nas rodovias que possam cumprir o tempo de direção e descanso
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou, nesta quarta-feira (12/09), uma resolução que recomenda a fiscalização dos motoristas profissionais apenas nas rodovias que tenham condições do cumprimento da Lei 12.619/2012. Esta lei determina o tempo de direção e descanso em pontos de parada nas vias federais.
Os ministérios dos Transportes e do Trabalho e Emprego publicarão em até 180 dias, no Diário Oficial da União, uma lista com as rodovias que possuem condições para a parada de descanso dos motoristas. A Lei 12.619/2012 determina que estes locais devem ter condições sanitárias e de conforto para repouso e descanso do motorista profissional, com alojamentos, refeitórios das empresas ou de terceiros , conforme as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego.
O Ministério das Cidades esclarece que a recomendação do Contran se deu pela dificuldade, no contexto atual, de cumprimento do tempo de descanso num grande número de vias federais do país, por carecerem de pontos de parada que garantam a segurança do motorista profissional.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO MINISTÉRIO DAS CIDADES
Sêmen do macho ativa genes que regulam várias funções no organismo. Benefícios incluem fertilidade, alimentação e qualidade do sono.
Um estudo feito com moscas fêmeas e publicado nesta terça-feira (11) traz novos indícios de como o sexo pode fazer bem à saúde. Foram registrados benefícios não só em funções relacionadas à reprodução, como a fertilidade e a libido, mas também na imunidade, na alimentação e na qualidade do sono.
Cópula entre duas moscas (Foto: Divulgação)
O que causa esses benefícios nas moscas fêmeas é uma proteína presente no sêmen dos machos. Essa substância, chamada pelos cientistas de “peptídeo do sexo” estimula alterações nos genes da fêmea, que se manifestam em diferentes momentos da vida dela.
Para os autores do estudo publicado pela revista “Proceedings of the Royal Society B”, isso mostra que o sêmen pode servir como um regulador das funções da fêmea. O macho também sai ganhando com isso, pois mantém a parceira saudável e garante que ela vá ser um bom investimento de longo prazo, pensando na reprodução.
Entre os genes beneficamente afetados, os pesquisadores da Universidade da Ânglia Oriental, na Inglaterra, destacaram os ligados à ovulação, à percepção de nutrientes e à maneira como o organismo reage à luz – que tem influência direta sobre a regulação do sono.
Teoricamente, mecanismos parecidos podem valer para todas as espécies em que o macho ejacula dentro do corpo da fêmea – como ocorre também entre os humanos. Novos estudos são necessários para comprovar se isso realmente ocorre.
Pouco tempo antes de Luiz Gonzaga (1912-1989) morrer, a cantora Anastácia, uma de suas discípulas, esteve com ele. Gonzagão, já doente, confidenciou-lhe um medo: o de ser esquecido. “Eu disse a ele que aquilo era besteira, que sempre iriam se lembrar dele”, diz a forrozeira, pernambucana como o mestre. “Para mim, ele deveria ser eleito o artista do século”, afirma Anastácia, que dedicou um capítulo de sua biografia Eu sou Anastácia - história de uma rainha a Gonzaga.
A amiga de Gonzagão estava certa. Neste ano, quando faria um século de vida, o compositor de “Asa Branca” está sendo festejado com lançamentos de CDs, tributos e um filme com a sua história (leia mais abaixo). Isso confirma a importância de Luiz Gonzaga na música brasileira como um dos grandes divulgadores dos ritmos nordestinos (xote, xaxado, coco, toada, quadrilha), sobretudo nas décadas de 1940 e 1950, o auge de seu reinado.
Um dos maiores projetos do centenário de Gonzagão é uma caixa com três CDs que trazem 50 gravações inéditas das composições assinadas e cantadas pelo Mestre Lua. Produzido por Thiago Marques Luiz, 100 anos de Gonzagão (Lua Music) reúne artistas da antiga e da nova geração da música brasileira. Nomes como Elba Ramalho, Angela Ro Ro, Fafá de Belém, Claudette Soares, Cida Moreira, Zé Ramalho, Wanderléa, Maria Alcina, Chico César, Zeca Baleiro se juntam aos novatos Gaby Amarantos, Filipe Catto, Vanguart, Verônica Ferriani, Thais Gulin e Karina Buhr.
“A ideia foi mostrar que a música de Rei do Baião é universal e cabe em qualquer ritmo e gênero. É exatamente nisso que reside a genialidade e atemporalidade de sua obra”, diz Marques Luiz, que selecionou o repertório para os CDs, gravados em cinco meses.
Anastácia é uma das convidadas. Ela está na primeira faixa do CD 1 ao lado de Dominguinhos (outro discípulo do Rei), Amelinha, Geraldo Azevedo e Ednardo. Juntos, cantam o grande clássico “Asa branca”. E todos têm uma faixa individual na caixa.
A canção gravada por Amelinha, “Légua tirana”, especialmente, foi um pedido do próprio Gonzagão, também pouco antes de morrer. A cantora o encontrou em um avião a caminho de Recife. Na hora que a aeronave decolava, Gonzagão lhe fez o pedido: cantar a música. “Ele estava usando um terno branco, já de bengala”, diz Amelinha. “Ela também me pediu para que eu a cantasse em uma noite de gala, com um sanfoneiro no palco”, afirma. O pedido foi atendido algumas vezes ao longo dos anos, mas esta é a primeira vez que Amelinha registra a canção em um disco.
Entre os representantes da nova geração está Ylana Queiroga, que dá voz à faixa “Orélia”. “Para mim, é muito natural cantar Gonzagão. No Nordeste, ele é muito ouvido e muito cantado”, diz a cantora, que é de Recife. Outros novos pernambucanos como Paulo Neto (que está lançando seu primeiro CD, Dois perdidos numa noite suja) e Ayrton Montarroyos, de apenas 18 anos, também foram convidados para gravar na caixa tributo. Eles cantam, respectivamente, “Imbalança” e “Riacho do navio”.
A capa do Box 100 anos de Gonzagão é ilustrada por um desenho feito pelo artista gráfico Elifas Andreato. Publicado originalmente em 1976, a figura traz um sorridente Gonzagão em meio a mãos calejadas que lembram a paisagem do sertão nordestino.
Outros lançamentos que marcam os 100 anos de Luiz Gonzaga
As sanfonas do Rei – Falamansa
O grupo, que ficou conhecido como representante do “forró universitário” gravou um CD em tributo ao Rei do Baião. São 15 canções, algumas delas pouco conhecidas do grande público, como “Serena no mar” e “Alegria pé de serra”. Elba Ramalho (“Sanfoninha choradeira”), Dominguinhos (“Nem se despediu de mim”), Jorge Du Peixe (“Erva rasteira/A festa”), Trio Nordestino (“Amei a toa”) e Trio Virgulino (“Bom pra uns”) participam como convidados.
Olha pro céu – Vários artistas (Universal Music)
A coletânea reúne 28 músicas de Gonzagão gravadas por diversos intérpretes em diferentes anos. Estão nela, por exemplo, “Baião da garoa” (Carmélia Alves – 1959), “Derramaro o Gai” ( Mpb4 – 1970), “Assum Preto” (Gal Costa – 1971), “Vem morena” (Alceu Valença – 1980), “Roendo unha” (Elba Ramalho – 1983), “ABC do sertão” (Maria Bethânia – 1985). O CD ainda traz a inédita “Respeita Januário”, gravada por Caetano Veloso no ano de 1999, em um disco caseiro feito para o filho Zeca.
Gilberto Gil canta Luiz Gonzaga (Warner Music)
O álbum reúne canções de Luiz Gonzaga gravadas por Gilberto Gil ao longo de sua carreira. Entre as faixas selecionadas estão “Vem morena”, “Imbalança”, “Asa branca”, “O xote das meninas”, “Qui nem jiló”. “Olha pro céu”, entre outras. O repertório foi idealizado pelo produtor musical Marcelo Froes.
Caixa Luiz Gonzaga (Sony Music)
Ainda sem data certa para chegar ao mercado, a obra de Luiz Gonzaga será relançada pela gravadora Sony Music. A empresa promete colocar no mercado cerca de 60 CDs com toda a obra do Rei do Baião, incluindo músicas que foram lançadas em discos de 78 rotações. Deve sair até o final deste ano.
Gonzaga – de pai pra filho (direção Breno Silveira)
O longa vai contar a conflituosa relação do Reio do Baião e de seu filho, Luiz Gonzaga Junior, o Gonzaguinha. Gonzagão será interpretado, em uma das fases da vida, pelo sanfoneiro Nivaldo Expedito, o “Chambinho do Acordeon”. Gonzaguinha, na fase adulta, será vivido pelo ator Julio Andrade. O filme foi escolhido para abrir o Festival do Rio 2012, na noite de 27 de setembro. A estreia nas salas de cinema está prevista para 26 de outubro.
ÚNICO CONCORRENTE Candidato à reeleição em Agudos (SP) numa aliança com 14 partidos, Éverton Octaviani não tem adversários
Cravada na região centro-oeste de São Paulo, a 330 km da capital, a cidade de Agudos, com seus 35 mil habitantes, vive uma situação política esdrúxula. Os 26 mil eleitores do município sabem, um mês antes das eleições, que o atual prefeito, Éverton Octaviani (PMDB), será reeleito. A certeza deve-se ao fato de que ele é simplesmente o único candidato a prefeito. Dessa forma, sem nenhum adversário para confrontá-lo nas urnas, Octaviani precisará tão somente do próprio voto para continuar à frente da prefeitura por mais quatro anos. Sustentado por uma aliança composta por 14 partidos, o atual prefeito, que aos 27 anos é o mais jovem do Estado de São Paulo e o segundo mais novo do País, levou a oposição a abandonar a disputa. “Não tem como enfrentá-lo nas urnas”, admitiu à ISTOÉ o empresário petista Celso Galdino, que desistiu de concorrer ao cargo de prefeito pelo PT.
A ampla aliança em Agudos, que tirou a oposição da disputa, pode ser explicada pelos bons resultados conquistados pela atual administração de Octaviani. Entre eles, a arrecadação que chega a mais de R$ 80 milhões. A cidade também tem 100% de suas ruas pavimentadas, os ônibus são de graça, assim como é gratuito o acesso à internet nas residências.
O cenário eleitoral de candidatura única como em Agudos encontra paralelo em outras 105 cidades brasileiras. Em Mirassolândia, interior paulista, a roupa de posse da neocomunista do PCdoB Terezinha Lima, 63 anos, também está pronta. “Foram 40 anos de vida pública dedicada à cidade. Meu nome ficou forte”, argumenta Terezinha, que já administrou o município entre 2004 e 2008. São nove os partidos que a apoiam, entre comunistas, tucanos, liberais e trabalhistas. “Só o PT está fora, mas também não lançou candidatura”, diz ela. Em Tejupá, interior de São Paulo, o candidato tucano, Valdomiro José Mota, também não tem adversários. No município, o próprio PT resolveu apoiar oficialmente o candidato do PSDB. A decisão, no entanto, gerou polêmica e foi parar nos tribunais. É que, pela política de alianças adotada este ano pelo PT, seus candidatos estão proibidos de se aliar formalmente ao PSDB nas eleições municipais. Diante disso, a Direção Nacional do PT interveio e tentou obrigar os petistas locais a retirar o apoio ao tucano e, consequentemente, lançar uma candidatura própria. Porém, a Justiça Eleitoral não aceitou o lançamento da candidatura do PT, já que o prazo de registro já havia terminado. A querela será resolvida nos tribunais. Enquanto isso, o tucano tem tocado a campanha como candidato único. “A eleição de Mota põe fim a uma disputa de poder entre duas famílias que há anos dominavam a política local”, diz Valter Boranelli, atual prefeito de Tejupá, e principal cabo eleitoral de Mota.
A proliferação de candidaturas únicas tem recebido duras críticas de especialistas. “Isso é típico de países totalitários e mostra a fragilidade do sistema partidário brasileiro”, entende Octaviano Nogueira, professor da UnB. “A Justiça Eleitoral tinha que intervir nesses municípios”, diz Nogueira. Para ele, um país com tantas legendas não poderia permitir o que chama de “violação ao pluralismo partidário”. O prefeito da cidade de Rancho Alegre D’Oeste, interior do Paraná, Valdinei Peloi, outro candidato à reeleição sem concorrentes, rebate. “No interior não existem partidos, mas grupos políticos. Nós conseguimos pacificar algumas disputas. Isso é resultado de anos de trabalho”, defende-se o prefeito, que é do Democratas e será eleito com uma vice do PT.
No ranking nacional das cidades com candidatos únicos, Minas Gerais assume a dianteira com 21 postulantes sem adversários, seguida pelo Rio Grande do Sul com 20, São Paulo com 19 e Paraná com 16 candidatos. Nos 106 municípios onde só existe apenas um candidato, o eleitor terá três opções diante da urna: escolher o candidato único, anular o voto ou optar pela tecla em branco. Para sair vitorioso, o candidato precisará de apenas um voto. O entendimento do tribunal joga por terra as recorrentes campanhas, principalmente na internet, que afirmam que se a população anular o voto ou optar pelo voto em branco, como forma de protesto, inviabilizará o pleito. Isso não é verdade. “A legislação estabelece que, para ser eleito, o candidato precisa ter metade mais um dos votos válidos. E os votos nulos e em branco não são considerados válidos”, explica Alberto Rollo, um dos mais experientes advogados brasileiros em direito eleitoral. “Anular as eleições é história da carochinha”, conclui Rollo.
Expectativa é que percentual de redução chegue até 20%. Medida visa reduzir contas de consumidores e custos da indústria.
A presidente Dilma Rousseff deve aproveitar o discurso desta quinta-feira (6) à noite, sobre a Independência, para anunciar uma redução na tarifa de energia dos consumidores e da indústria. O percentual ainda estava sendo discutido na véspera. A expectativa é que seja entre 10 e 20%. A medida tem, entre seus objetivos, reduzir os custos de produção da indústria, deixando-a mais competitiva.
No dia 30 de agosto, a presidente havia afirmado que as medidas para baratear o custo da energia seriam apresentadas na semana seguinte. “Temos de reduzir o custo da energia, tornar racional o custo da tributação, não se trata apenas de reduzir [...], mas ele não pode ser irracional, ele não pode impedir o investimento, não pode impedir que haja participação dos bens de capital”, disse na ocasião.
“Vamos cancelar CCC, CDE, RGR, e provavelmente mexeremos também no Proinfa. O Luz para Todos passa para o tesouro nacional e não sofrerá nenhuma dificuldade. Os programas serão mantidos”, disse à época.
No final de julho, o ministro de Minas e Energia havia afirmado que o governo cancelaria a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a Reserva Global de Reversão (RGR), além de alterar o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). O programa do governo federal, Luz para Todos, não sofrerá alteração, segundo o ministro.
Imperador faz festa em casa após voltar do Sul, passa o dia na Vila
Cruzeiro, perde o treino da tarde no Ninho e, ao ir embora, atropela
motociclista
Adrianofaltou ao treino programado para esta segunda-feira, no Ninho do Urubu, e não apresentou justificativas. O motivo, porém, foi a visita que fez à Vila Cruzeiro, comunidade do Rio de Janeiro na qual foi criado. Depois de chegar de Porto Alegre com a delegação do Flamengo, o atacante recebeu amigos em sua casa na Barra da Tijuca para uma festa. Por volta das 5h, foi para a favela e passou o dia por lá. No fim da tarde desta segunda-feira, ao deixar o local em sua BMW branca, envolveu-se num acidente no qual um motociclista foi atropelado. Ninguém foi ferido gravemente.
À tarde, no Ninho do Urubu, o clima era de expectativa conforme se aproximava o horário do treino (15h30m) com o sumiço de Adriano. O GLOBOESPORTE.COM tentou contato com o diretor de futebol do Flamengo, Zinho, e com o vice de futebol Paulo Cesar Coutinho para comentar o assunto, mas não conseguiu. O atacante deve ser multado por conta da falta desta segunda-feira. Até mesmo sua permanência no clube passa a ficar em xeque. A diretoria espera ter uma conversa com o jogador para se pronunciar.
Adriano e sua BMW no Ninho do Urubu (Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)
Esta foi a segunda falta de Adriano a um treinamento desde que retornou ao Flamengo. Na última quarta-feira, o atacante treinou normalmente pela manhã, mas pouco antes do horário marcado para a atividade da parte da tarde, ligou avisando que não iria comparecer. Ele alegou cansaço.
Quando foi liberado pelo médico José Luiz Runco para assinar contrato com o Flamengo, Adriano disse que a partir dali sua relação com o clube seria outra.
- Agora eu posso ser cobrado. Depois que assinar contrato, tenho que ter mais compromisso com o clube - disse Adriano.
Adriano em visita à Vila Cruzeiro em dezembro de
2010 (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
Depois, já com o contrato assinado, o Imperador admitiu que voltar a ter uma vida regrada não seria uma tarefa das mais fáceis.
- Não é difícil, mas quando você acostuma fazer certas coisas... acaba fazendo direto, vira meio que um vício. Você tem que ser muito forte, “não vou fazer mais isso”, tem que centrar. É minha última chance, se errar, vou falar com a minha família e amigos: “Gente, parei, acabou.” Tenho que aprender a ter uma vida normal de atleta para que possa voltar. Não vou mentir. No dia que puder fazer, na minha folga, ninguém é de ferro. Quando pode, não faz mal a ninguém. Mas tenho que ter essa regra para mim - refletiu à época o atacante.
Em 2009, Adriano passou três dias na Vila Cruzeiro sem dar notícias. Chegou a circular um boato de que ele teria morrido. Por fim, sua mãe conseguiu convencê-lo a ir para casa.
Segundo informou a assessoria de imprensa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o jogador foi visto por policiais andando com amigos na Vila Cruzeiro nesta segunda-feira.