sexta-feira, 22 de junho de 2012

Viver sem dinheiro


Histórias de pessoas que abandonaram suas 

carreiras, encerraram as contas bancárias e há 

anos vivem - bem - na base do sistema de trocas 

e doações

Rachel Costa
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"Conseguir roupas, lugar para dormir e comida não são problemas
para mim. As pessoas têm prazer em me receber em suas casas"

Heidemarie Schwermer, sem dinheiro desde 1996
Nos Estados Unidos, um homem das cavernas moderno vive em grutas no deserto de Utah, mantém um blog e participa ativamente da comunidade. Na Alemanha, uma avó viaja de uma cidade a outra para pregar o desapego aos bens materiais. No Reino Unido, um ex-economista sem conta no banco nem dinheiro no bolso empenha seu tempo em recrutar voluntários para uma comunidade autossustentável. Em comum, eles tomaram a decisão de nunca mais ter dinheiro. O americano Daniel Suelo, 50 anos, doou seus últimos dólares em 2000. A lituana radicada alemã Heidemarie Schwermer, 69 anos, nem chegou a ter um euro. Quando a moeda entrou em circulação, em 2002, já fazia seis anos que a simpática senhora não via a cor do vil metal. Já o irlandês Mark Boyle, 32 anos, em jejum financeiro desde 2009, garante que não ter dinheiro é sinônimo de liberdade, não de dificuldade. Utopia? Loucura? Exemplos a ser seguidos? 

Seja o que eles representarem, Suelo, Heidemarie e Boyle têm outro ponto em comum. Todos tiveram suas histórias registradas em livro ou filme. Heidemarie é a estrela do documentário “Vivendo sem Dinheiro” (2009, tradução livre); Suelo teve sua trajetória registrada no recém-lançado “O Homem que Largou o Dinheiro” (tradução livre, sem edição brasileira) e Boyle na obra “O Homem Sem Grana”, que chega ao Brasil no final de junho, pela editora Best Seller. “Muitas pessoas trabalham em empregos que odeiam só para ganhar dinheiro e depois tentam se sentir recompensadas por isso, sem sucesso, comprando férias em resorts, carros caros e almoços finos”, disse à ISTOÉ o escritor Mark Sundeen, autor do livro sobre Daniel Suelo. Para Sundeen, histórias como a de Suelo ilustram a verdade contida na velha máxima “dinheiro não traz felicidade”. Suelo decidiu ser pobre inspirando-se nos sadhus, hindus que abrem mão de todos os seus bens materiais para mostrar que o ser é mais importante que o ter. Em vez de ir para a Índia, porém, se impôs o desafio de viver sem dinheiro dentro da sociedade mais consumista do mundo, a americana.

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SONHO
Desde 2009 em jejum financeiro, Mark Boyle planeja agora formar uma
comunidade autossustentável, onde tudo virá da produção própria ou de trocas

Contestar o consumo é mesmo o principal alvo de quem resolve aderir ao cotidiano sem nenhum centavo. “Nós vivemos sem dinheiro 95% do tempo de nossa existência e todas as outras espécies vivem sem ter de comprar”, disse à ISTOÉ Mark Boyle. “Passei quatro meses me preparando, fazendo uma lista de tudo que eu consumia quanwdo tinha dinheiro e então pensando em novas formas para ter essas coisas sem pagar por elas”, diz ele, que resolveu trocar a cidade pelo campo e aprendeu, entre outras coisas, a tirar seu sustento da terra e manter sua casa com energia solar. Embora o campo seja mais amigável à vida sem recursos financeiros, é possível se manter sem dinheiro nos grandes centros urbanos, ensina a ex-professora e psicoterapeuta Heidemarie Schwermer. “Roupas, lugar para dormir e comida não são problemas para mim”, disse ela à ISTOÉ. “As pessoas têm prazer em me receber em suas casas.” Para conseguir o que precisa, Heidemarie usa o sistema de trocas. Na cidade onde vivia, na Alemanha, criou um espaço para esses intercâmbios em 1994. Foi a partir dessa experiência que decidiu, em 1996, passar um ano sem dinheiro. Vencido o período com êxito, Heidemarie se propôs a aumentar para mais 12 meses, até resolver prorrogar indefinidamente. Foi assim que doou tudo o que tinha, das roupas à casa, e restringiu todos seus pertences a uma pequena maleta com algumas roupas. 

Na trilha desses gurus da vida sem dinheiro, é possível encontrar discípulos menos radicais. Um deles é o espanhol Juan Manuel Sánchez, que, da cidade de Almeria, na Andaluzia, coordena o site SinDinero (de dicas sobre como reduzir os gastos), com 50 mil acessos semanais. “Vivo com 400 euros por mês. Pago aluguel, casa, luz, telefone, mas reduzo ao máximo minhas contas buscando lazer de graça e fazendo trocas para ter o que preciso”, disse à ISTOÉ. Cortar custos foi a maneira que encontrou para largar o trabalho, do qual não gostava, e ter mais tempo para si. Exemplo semelhante vem do fotógrafo Marco Aurélio Bastos, criador do Núcleo de Permacultura da Mantiqueira, em São Francisco Xavier. Envolvido com comunidades de autossustento desde a década de 80, ele vive bem com menos de um salário mínimo, gasto para comprar o que não produz, viajar e cobrir os custos de internet e celular. “Você tem de estar disposto a viver mais com o que tem no coração e menos com o que tem para comprar”, diz, numa linguagem própria dos desapegados.

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Fonte: Revista ISTOÈ Online
Edição: Antonio Luis

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Polícia de Minas Gerais recebe nova pista sobre local do corpo de Eliza Samudio


Carta enviada para mãe da jovem indicaria poço artesiano onde 

estaria o cadáver. No manuscrito, ocultação é atribuída ao 

ex-policial Marcos Aparecido dos Santos

Andréa Silva, de Belo Horizonte (MG)
Eliza Samudio, de 25 anos, está desaparecida desde o início de junho. Eliza era ex-amante do ex-goleiro do Flamengo Bruno e tentava provar judicialmente que o atleta era pai de seu filho, também batizado de Bruno, de cinco meses. A suspeita é de que Eliza, a mando de Bruno, tenha sido brutalmente assassinada por amigos do goleiro
Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno, está desaparecida desde o início de junho (Marcelo Theobald / O Globo)
"Pouco antes de eu ser informada que a Eliza havia sido sequestrada e assassinada em Minas Gerais, em maio de 2010, eu sonhei que mataram a Eliza e que haviam jogado o corpo jogado em um local parecido com essa descrição", disse Sônia
Uma carta anônima, indicando o local onde possivelmente estariam os restos mortais de Eliza Samudio, foi entregue à mãe da jovem, a sitiante Sônia Fátima Moura, 44 anos. Quando recebeu a carta, Sônia participava ontem de um programa de TV em Belo Horizonte. O manuscrito afirma que Eliza, depois de morta, foi jogada pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em um poço artesiano, em uma área de reserva florestal do Bairro Planalto, Região da Pampulha, na capital mineira. O advogado de Sônia, José Arteiro Cavalcante Lima, que também atuou na acusação nas audiências de instrução e julgamento do goleiro Bruno e dos noves acusados de participação do sequestro e morte de Eliza, não informou detalhes do texto, mas afirmou que vai repassar o documento à Polícia Civil e ao Ministério Público para que sejam feitas buscas no local da denúncia. 

Sônia diz ter entrado em choque ao saber das informações sobre o local onde estaria o corpo. "Pouco antes de eu ser informada que a Eliza havia sido sequestrada e assassinada em Minas Gerais, em maio de 2010, eu sonhei que mataram a Eliza e que haviam jogado o corpo jogado em um local parecido com essa descrição", disse.

Durante as investigações da Polícia Civil sobre o desaparecimento do corpo de Eliza, os investigadores vasculharam a mata no sítio do goleiro, em Esmeraldas, uma lagoa em Ribeirão das Neves, uma mata na divisa de Ribeirão das Neves e Contagem, e no Parque Lagoa do Nado, no Planalto. As buscas no parque foram feitas porque o rastreamento do celular de Bola indicou que na noite do dia 9 de junho, suposta data da morte da jovem, ele esteve na região. 

Embora o corpo de Eliza Samudio não tenha sido encontrado, Sônia disse ter certeza de que houve o crime. "Eu não tenho dúvida de que eles mataram a minha filha. Eu quero encontrar os restos mortais dela para ter o direito de me despedir”. Para Sônia, o plano de morte da filha, não foi só obra do Bruno. Ela diz que o jogador foi influenciado e pressionado, não só pelo amigo e braço direito, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, mas também pela ex-mulher dele, Dayanne dos Santos, com quem tem duas filhas, de 4 e 6 anos.

Sônia acredita que Dayanne arquitetou tudo por ódio. Para ela, isso se agravou depois que Eliza teve um menino – um desejo de Bruno, que não tinha filhos homens. Essa é também a tese do advogado de Sônia, José Arteiro. "Não tem inocente nesta história. A jogada dos advogados de defesa é colocar toda a culpa no Macarrão, para que o Bruno consiga sua liberdade, volte a jogar futebol e assuma as despesas de seus comparsas. Mas eu acredito que a Dayanne ajudou a planejar tudo", disse Arteiro.

Defesa – Para Francisco de Assis Simim, que trabalha na defesa de Dayanne e Bruno, há uma tentativa de denegrir a imagem de sua cliente. Ele afirma que cogita entrar com processo de calúnia e difamação. Segundo Simim, a família de Eliza está usando o fato de a ex-mulher ter tido uma filho recentemente para mudar o rumo do caso, e fazer da jovem uma vilã. "Eles chegaram a dizer que o filho que a Dayanne teve recentemente é do Bruno. Não vamos entrar nos detalhes, porque trata-se de um assunto pessoal, mas a menina, que está com seis meses, é filha do namorado dela e não do Bruno, como estão espalhando", afirmou Simim.

Procurado pela reportagem do site de VEJA, o delegado Wagner Pinto, que assumiu o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse que ainda não recebeu a carta, mas afirmou que pretende analisar o conteúdo para saber se as informações são relevantes para que seja feita uma busca no local indicado pelo denunciante. "O caso sobre a morte de Elisa Samudio está encerrado. Não encontramos o corpo, mas juntamos provas suficientes para indiciar os nove acusados. Mesmo assim, todas as informações que recebemos sobre possíveis lugares onde o corpo da vítima pode estar é analisada", informou Wagner Pinto.

Fonte: Veja Online
Edição: Antonio Luis

terça-feira, 19 de junho de 2012

Como vivem os outros réus do mensalão


ISTOÉ localizou alguns dos personagens do maior 

escândalo de corrupção dos últimos anos e descobriu 

que, dentro ou fora da vida pública, a maioria acumula 

poder e influência pelo País

Izabelle Torres
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FUNCIONÁRIO DA CÂMARA
Acusado de distribuir propina, Jacinto Lamas
é hoje chefe-de-gabinete do PR
Passava das 15 horas de uma quarta-feira de junho quando um servidor entrou apressado na sala da liderança do PR, falando ao telefone e distribuindo instruções aos presentes. Tratava-se de Jacinto Lamas, personagem do escândalo do Mensalão acusado de receber e distribuir a propina destinada ao antigo PL e um dos 38 réus do processo com julgamento marcado para 1º de agosto no Supremo Tribunal Federal. Lamas continua funcionário da Câmara dos Deputados e engorda o contracheque com a função de chefe de gabinete do PR, obtida graças ao prestígio acumulado por anos de dedicação ao partido. Além de se manter como homem de confiança dos caciques da legenda, ele também manteve inabalável a vida confortável que conquistou. Prova disso é a mansão onde mora, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, na qual se encontrava em plena segunda-feira às 17 horas, quando foi procurado por ISTOÉ. “Estou bem e não falo do Mensalão. Você deveria ir atrás dos políticos”, disse pelo interfone. A exemplo de Lamas, ISTOÉ localizou outros réus do processo para mostrar como vivem alguns dos personagens do maior escândalo de corrupção dos últimos anos. 

O ex-líder do governo Lula, professor Luizinho, saiu da vida política pela porta de trás e entrou na elite do mundo empresarial. Em seu nome estão duas empresas. Uma delas é de consultoria e existe desde 2007. Nessa empresa, ele presta serviços a gente interessada em irrigar contas bancárias com dinheiro público por meio de convênios com prefeituras e ministérios. Em outra investida empresarial, ele divide com a mulher a sociedade na Analuz Reflorestamento, sediada na Bahia e especializada em plantações de eucaliptos. Assim como o petista Luizinho, o ex-deputado do PTB Romeu Queiroz não voltou para cargo eletivo depois do escândalo, mas, para ganhar dinheiro, se vale da influência que teve um dia. Em seu nome há nove empresas. Duas são de aluguel de veículos e estão frequentemente na lista de contratadas de prefeituras mineiras. Quem também se reergueu depois do desgaste público foi Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural. Ela continua sendo uma das principais acionistas da instituição e divide seu tempo entre administrar seus negócios pessoais e os da holding do Grupo Rural. Seu poder na corporação não diminuiu: ela ainda participa das decisões estratégicas do banco e dá expediente diário na instituição.

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PATRIMÔNIO
A mansão de Lamas em Brasília:

"Estou bem e não falo do Mensalão"
Para os réus que faziam parte das empresas de Marcos Valério, pouca coisa mudou. Os sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerback ainda dividem com Valério a sociedade em pelo menos duas empresas de publicidade em atividade, além da SMP&B, que teve de sair de cena depois do Mensalão. Simone Vasconcelos, a ex-gerente financeira da empresa por onde circulavam notas frias e dinheiro destinado a recompensar parlamentares, foi quem pagou o preço mais alto e amargou pouco mais de um ano sem emprego. “O problema é que um processo criminal macula a imagem da pessoa”, diz Leonardo Yarochewsky, especialista em Direito Criminal e advogado de Simone. “Isso se agrava em casos de repercussão nacional como esse.”

É o peso de ser um réu que move a rotina de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Com um memorial em mãos, ele tem feito palestras pelo País pregando sua inocência. Para ganhar a vida longe da administração do partido, Delúbio montou uma imobiliária que atua na internet. Ele optou por ficar longe de disputas eleitorais. Escolha oposta à que foi feita pelo ex-deputado Paulo Rocha, que tem dado as cartas nas eleições do Pará como presidente de honra do PT no Estado, e a de Anderson Adauto, que briga para permanecer no comando do PMDB de Uberaba. Com planos mais audaciosos, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) costura apoio e alianças em torno da sua candidatura à prefeitura de Osasco. Apesar de alguns mensaleiros terem levado a vida nos últimos anos como se nada devessem ao País, todos sabem que há 11 ministros do STF no meio de seu caminho.

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Fonte: Revista ISTOÈ Online
Edição: Antonio Luis

20 exemplos para mudar o mundo


Conheça produtos, cidades, estratégias e softwares 

que já estão por aí, tornando a nossa vida mais 

confortável sem que o planeta tenha de sofrer com isso

Juliana Tiraboschi
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HARMONIA
Pescadores e peixes nas ilhas de Raja Ampat, Indonésia
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Fonte: Revista ISTOÈ Online
Edição: Antonio Luis

sábado, 16 de junho de 2012

Os fantasmas de Dutra


O petista Domingos Dutra, um dos principais 

deputados 

da Comissão de Direitos Humanos, é acusado de cobrar 

parte do salário de funcionários que contratou, mas que

liberou do trabalho

Claudio Dantas Sequeira
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CAMARADA
Segundo a ex-chefe-de-gabinete de Dutra, o petista usava
assessores parlamentares para atividades particulares
O deputado federal Domingos Dutra, do PT do Maranhão, é uma dessas vozes que costumam se erguer para apontar erros de outros políticos. Mas agora Dutra está do outro lado. Membro da Comissão de Direitos Humanos, o parlamentar é acusado de contratar funcionários fantasmas, fornecer assessores para o escritório de advocacia de sua mulher, Núbia Dutra Feitosa, de cobrar a devolução de parte dos salários desses funcionários e até doações de campanha. O caso foi primeiro denunciado à Polícia Civil maranhense pela auxiliar de escritório Regiane Abreu dos Anjos. Em boletim de ocorrência, datado de 25 de abril do ano passado, a mulher relata que trabalhou para Núbia por três meses e, após ser demitida, tomou conhecimento de que era funcionária da Câmara dos Deputados. Dutra a manteve na folha de pagamento até aquele mês. 

O caso de Regiane Abreu se soma a vários outros, segundo relato de Márcia Rabelo, ex-chefe-de-gabinete de Dutra. Em entrevista à ISTOÉ, ela confirmou que a mulher do deputado usa assessores parlamentares para atividades particulares. “Eu servi de capacho dela muitas vezes e tinha funcionária do gabinete que passava três dias redigindo petição para ela”, diz Márcia, que também revela que foi obrigada por Núbia a devolver parte do salário. “Depositei na conta de uma menina que trabalhava com ela. Tenho o recibo.” Ao analisar cópias de folhas de frequência dos funcionários de Dutra, de outubro de 2009 a julho de 2011, a ex-chefe-de-gabinete identifica 16 funcionários que ela julga serem fantasmas. “Nunca ouvi falar dessas pessoas, nem em Brasília nem em São Luís.”
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ESQUEMA
A denúncia foi registrada em Boletim de Ocorrência
Entre os nomes está o de Rondinele Francisco Santos da Silva, morador da pequena cidade de São José de Ribamar, a 32 quilômetros da capital maranhense. Questionado por ISTOÉ, Rondinele desconhece o emprego no gabinete do petista. “Não trabalhei com ele, não”, afirma. “Quem trabalhou foi outra pessoa, mas não sei o nome.” Outra fantasma de Dutra seria Simone Carvalho, que, segundo a ex-chefe-de-gabinete do petista, só vai à Câmara para bater ponto. No gabinete, uma secretária confirmou à ISTOÉ, em ligação gravada, que Simone deixou o cargo em janeiro. Minutos depois, quando a reportagem se identificou, a versão mudou. Em sua defesa, Dutra alega que está sendo vítima de “denúncias orquestradas” pelo senador José Sarney (PMDB/AP). “Em 30 anos de atividade profissional, jamais me envolvi em maracutaias.” Será?
Fonte: Revista ISTOÈ Online
Edição: Antonio Luis

sexta-feira, 15 de junho de 2012

STF nega pedido de Démostenes para suspender ação no Conselho de Ética


Ministra Cármen Lúcia argumentou que assunto cabe ao Congresso.
Advogados também pediam que Corte autorizasse perícia nas provas.


O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), no Conselho de Ética (Foto: Wilson Dias/ABr)O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), 
no Conselho de Ética (Foto: Wilson Dias/ABr)
Menos de 24 horas após o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de suspender o processo disciplinar contra ele no Conselho de Ética do Senado, a ministra Cármen Lúcia negou o pedido.
Em seu despacho de 13 páginas, a magistrada indeferiu o pedido de liminar do senador goiano, argumentando que se trata de assunto interno do Congresso, não cabendo interferência do Judiciário. Na avaliação de Cármen Lúcia, não ocorreu “ofensa” ao direito de defesa do parlamentar, como alegava a defesa de Demóstenes.
“Tratando item controverso derivado de interpretação de normas regimentais, sem a demonstração clara e objetiva de ofensa a direito subjetivo, está-se diante de matéria configuradora de ato interna corporis, imune ao controle judicial”, afirmou a ministra no documento.
Suspeito de ter usado o mandato para favorecer a organização do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Demóstenes ingressou nesta quinta-feira (14) com um pedido de liminar no STF requisitando a interrupção do processo no Senado até que o mérito do mandado de segurança fosse analisado pelo tribunal.
Além de pedir a suspensão da ação, os advogados do senador solicitavam que a Corte autorizasse a perícia técnica nas provas usadas para embasar o processo disciplinar. A defesa também havia requisitado que a sessão desta quarta (13) do Conselho de Ética, que negou o pedido de análise, fosse anulada e os prazos para as alegações finais no processo, que expiram nesta sexta-feira (15), fossem reconsiderados.
O advogado de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, havia argumentado ao Supremo que seu cliente estaria “se defrontando com patente constrangimento ilegal” por parte da presidência do Conselho de Ética e da mesa diretora do Senado.
Kakay chegou a reclamar no mandado de segurança de uma suposta resistência do relator do processo no Conselho de Ética, senador Humberto Costa (PT-PE).
“O senador relator [Humberto Costa], ao que parece, não pretende “levar em consideração qualquer consideração defensiva que será aposta em alegações finais”, escreveu o advogado.
Ao negar a liminar, Cármen Lúcia disse não enxergar fundamentos para a acusação da defesa de Demóstenes.
“O argumento apresenta mero exercício de futurologia [parece... não pretende... que será posta...], imprestável para fundamentar requerimento de liminar em mandado de segurança em face da carência do relevo jurídico da exposição”, questionou Cármen Lúcia.
relator do processo que investiga Demóstenes no Conselho de Ética deve apresentar o relatório final do caso na próxima semana. O parecer vai indicar qual penalidade poderá ser aplicada ao parlamentar - desde a censura à perda do mandato.
Fonte: G1
Edição: Antonio Lui
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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Suspeito de matar jornalista confessa vinte assassinatos


Morte de Décio Sá teria sido encomendada a pistoleiro por 100.000 reais

O jornalista Décio Sá
O jornalista Décio Sá (Reprodução)
O pistoleiro Jhonathan Silva, de 24 anos, preso na quarta-feira acusado de ser o executor do jornalista Décio Sá, morto com cinco tiros no dia 23 de abril, em São Luís, no Maranhão, confessou para a polícia ter cometido mais de vinte assassinatos. Segundo informações doJornal da Globo, todos os crimes teriam sido encomendados - inclusive a morte de Sá, que teria custado 100.000 reais.

Na manhã de quarta, a polícia do Maranhão prendeu sete acusados de envolvimento no assassinato do blogueiro e jornalista do diário O Estado do Maranhão (ligado à família Sarney). Outro suspeito de participar do crime foi executado na noite de segunda-feira - Valdênio José da Silva estava em casa ao lado da mulher quando um homem efetuou cinco disparos por uma janela entreaberta da residência.

Motivação - O empresário Glaúcio Alencar Pontes, de 34 anos, que também é policial e ex-vereador no interior do Maranhão; e o pai dele José de Alencar Miranda Carvalho, 72, são acusados de serem os mandantes. O sócio de Gláucio, Raimundo Sales Charles Júnior - conhecido como Junior Bolinha - 38, Fábio Aurélio do Lago Silva, 32, e Airton Martins Monroe, 24, são acusados de agenciar o pistoleiro profissional Jhonathan de Souza Silva, 24, que executou o crime. Um policial militar, o capitão Fábio Aurélio Saraiva Silva, que era subcomandante do Batalhão de Choque da PM maranhense, teria fornecido a arma calibre .40 usada na ação.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Aluízio Mendes, Décio Sá sabia do envolvimento de Gláucio com o assassinato do agiota Fábio dos Santos Brasil Filho, que contratou o mesmo pistoleiro para matar Gláucio. Como Brasil deu calote em Jhonathan, este procurou Gláucio, que pagou para matar o agiota. Sá teria dito a Gláucio que sabia sobre a ação e foi executado.
Fonte: Veja Online
Edição: Antonio Luis

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Caso Décio: capitão do Choque é preso


Uma grande operação da polícia prendeu, no início da manhã de hoje (13), ao menos sete de oito pessoas acusadas de envolvimento no assassinato do jornalista Décio Sá, ocorrido em 23 de abril passado.
Entre os presos, está o subcomandante do Batalhão de Choque da PM do Maranhão, capitão Fábio Aurélio Saraiva Silva. Seria dele, segundo a polícia, a pistola ponto 40 usada pelo matador do jornalista.
Foto: G. Ferreira
Jonatas Silva, acusado de matar Décio Sá
O pistoleiro, igualmente preso, tem 24 anos e é de Xinguara (sudeste do Pará). Ele foi identificado como Jonatas de Sousa Silva e teria confessado o crime. Jonatas havia sido preso no último dia 6, no Turu, com drogas e armas.
Também estão detidos, acusados de serem os mandantes, o empresário Gláucio Alencar Pontes – fornecedor de merenda escolar para várias prefeituras do Maranhão e suspeito de ser agiota, também com atuação em várias prefeituras maranhenses; o pai de Gláucio, identificado como Miranda; o revendedor de veículos de apelido “Júnior Bolinha”, de Santa Inês; e dois empregados de “Bolinha”, de apelidos “Buchecha” e “Balão” (ambos paraenses).
De acordo com a polícia, o assassinato de Décio Sá teria relação com o assassinato, em Teresina (Piauí), do revendedor de veículos Fábio dos Santos Brasil Filho, de 33 anos, executado com três tiros de pistola PT 380 – todos na cabeça – em frente a uma concessionária, no dia 31 de março último.
Assassinato de Fábio Brasil em Teresina, segundo a polícia, teve a ver com execução de Décio Sá
O jornalista Décio Sá publicara postagens sobre o caso, informando que Fábio Brasil devia a vários agiotas no Maranhão e havia prestado depoimento à Polícia Federal uma semana antes de sua morte. Fábio teria entregue muita gente envolvida com negócios nebulosos (agiotagem) com prefeituras do Maranhão e do Piauí.
Valdênio José da Silva, 38, assassinado na noite de segunda (11) – menos de 20 dias após ser solto, por falta de provas que o ligassem à morte de Décio Sá, conforme foi acusado – estaria ligado ao homicídio de Teresina, e sua execução, de certa forma, ajudou a polícia a chegar aos supostos mandantes e ao acusado de executar o assassinato de Décio.
A operação “Detonando” ocorreu em três cidades do Maranhão (São Luís, Santa Inês e Zé Doca) e em municípios do Pará.
Participaram da operação 12 delegados e cerca de 70 policiais civis, incluindo os do Grupo Tático Aéreo (GTA).
Também foram cumpridos na operação “Detonando” catorze mandados de busca e apreensão.
Ainda hoje, às 15h, acontecerá uma entrevista coletiva na Secretaria de Segurança Pública, na qual serão fornecidas à imprensa informações completas sobre a operação e os presos serão apresentados.
Fonte: Matéria do Jornal Pequeno - São Luis-MA
Edição: Antonio Luis

Suspeitos de participação na morte de Décio Sá são presos


Até agora, sete pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no caso.
Segundo a polícia, autor dos disparos é do Estado do Pará.


Jornalista Décio Sá, de 42 anos é morto na Avenida Litorânea (Foto: Divulgação)Jornalista Décio Sá, de 42 anos
foi morto na Avenida Litorânea (Foto: Divulgação)
Sete pessoas já foram presas na operação "Detonando" deflagrada, na manhã de desta quarta-feira (13), pela polícia do Maranhão. Os presos são suspeitos de envolvimento na morte do jornalista Décio Sá.

Dois empresários do Pará, um da cidade de Santa Inês, no Maranhão, dois assessores do empresário de Santa Inês, um subcomandante do Choque da Polícia Militar e assassino de Décio Sá seriam as sete pessoas presas.
Os empresários do Pará seriam do ramo de fornecimento de merenda escolar, e o outro, de Santa Inês, seria do ramo de revenda de veículos. O subcomandante da Polícia MIlitar teria emprestado a arma que foi usada para matar o jornalista, segundo as primeiras informações.

O autor dos cinco disparos que mataram o jornalista está entre os presos. Ele tem 24 anos e é do Estado do Pará. Ainda segundo a polícia, as características do executor conferem com as mostradas no retrato falado, divulgado no dia 1º deste mês, mas ele estaria com os cabelos cortados. Os outros presos são das cidades de Santa Inês, Zé Doca e São Luís, no Maranhão.
Na operação, estão sendo empregados doze delegados e setenta policiais civis e homens do GTA. Os presos serão apresentados na Secretaria de Segurança Pública do Maranhãono início da tarde.
Entenda o caso
O jornalista Décio Sá foi assassinado no dia 23 de abril, com cinco tiros, em um bar da Avenida Litorânea, em São Luís. No mesmo dia do crime, as investigações foram iniciadas e uma recompensa de R$ 100 mil foi oferecida  pelo Disque-Denúncia por pistas que levassem ao executor de Sá.
Logo no início das investigações, agentes descobriram o pente da arma usada pelo assassino, que o deixou cair durante a fuga e testemunhas começaram a ser inquiridas para prestar esclarecimentos sobre o fato.
Contudo, três depoimentos de testemunhas vazaram na internet e, com isso, a polícia decretou sigilo absoluto para não atrapalhar as investigações.
Quase 40 dias após o crime, a polícia divulgou o retrato falado do suspeito de assassinar o jornalista Décio Sá. Com a veiculação da imagem, o Disque-Denúncia, em 24 horas, recebeu 60 ligações que indicariam o paradeiro do executor.
Um dos suspeitos de participar do assassinato do jornalista, Valdênio José da Silva, chegou a ser preso, mas por falta de provas consistentes, acabou sendo libertado. Na última segunda-feira (12), Valdênio foi assassinado dentro de casa, na Vila Talita, em Raposa (Região Metropolitana de São Luís), também com cinco tiros. Após 51 dias do crime, a polícia elucidou o caso e já prendeu sete apontados de participação no assassinato.
Fonte: G1MA
Edição: Antonio Luis
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terça-feira, 12 de junho de 2012

Homem suspeito de participar de morte de jornalista é assassinado


Homem foi morto com cinco tiros durante a madrugada.
Ele ficou preso por trinta dias suspeito de participar da morte de Décio Sá.


 Um dos suspeitos de participação na morte do jornalista Décio Sá foi assassinado na noite desta terça-feira (12), na Vila Talita, na Raposa. Valdênio José da Silva foi preso, dias após a execução do jornalista, por suspeita de ajudar na fuga do assassino. Ele ficou detido por trinta dias e foi liberado em seguida.
Valdênio estava em casa quando um homem efetuou cinco disparos por uma janela entreaberta da residência. A vítima estava ao lado da esposa no momento do assassinato. Valdênio foi  apontado como um dos envolvidos na morte do jornalista Décio Sá através do Disque-Denúncia. 
Em nota a Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações sobre a morte de Valdênio José da Silva já foram iniciadas. Veja abaixo a nota na íntegra:
"A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), por meio da Polícia Civil do Maranhão, informa que já foram iniciadas as investigações sobre o assassinato de Valdênio José da Silva, 38 anos. O crime ocorreu na noite da última segunda-feira (11), na Vila Pirâmide, em Raposa, por volta das 23h. Valdênio foi alvejado com cinco tiros de revólver calibre 38.
Policiais da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) estão à frente do caso. Segundo informações, Valdênio tinha envolvimento com vários crimes no Maranhão e em outros estados, e, inclusive, já tinha sido preso diversas vezes por chefiar uma quadrilha especializada em roubo de carga e sob a acusação de latrocínio no Pará.
Ele foi preso no dia 26 de abril portando um revólver calibre 38, por suspeita de envolvimento na morte do jornalista Décio Sá."
Entenda o caso
Décio foi executado no dia 23 de abril com cinco tiros, em um bar, na Avenida Litorânea. De acordo com testemunhas, os suspeitos chegaram em uma motocicleta, executaram o jornalista e fugiram do local.

Qualquer informação sobre os assassinos do jornalista, pode ser passada ao Disque-Denúncia, pelos telefones 3223-5800, na capital, e 0300 313 5800, no interior do Estado. Não é necessário se identificar.
Fonte: G1
Edição: Antonio Luis

sábado, 9 de junho de 2012

As armas eficazes contra a dor de cabeça


Cientistas definem os remédios que realmente 

previnem e tratam a doença e indicam métodos

 capazes de aliviar os sintomas

Monique Oliveira
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Olhe ao seu redor. A cada dez pessoas que você vê, sete sentem dores de cabeça eventuais ou frequentes, segundo a Organização Mundial da Saúde. São vários os sintomas. Dor latejante em um dos lados ou dos dois do crânio, sensação de pressão, de pontadas. Algumas estão associadas ao esforço físico, à tensão e até à relação sexual. A maioria das pessoas tenta resolver o desconforto com um analgésico. Se o remédio não fizer o efeito esperado, o comportamento mais comum é engolir mais um comprimido e esperar pelo alívio, que nem sempre chega porque o problema já se tornou crônico. Dentre os indivíduos acometidos regularmente pelas cefaleias – o nome científico das dores de cabeça –, pelo menos um deles sofre de uma das formas mais intensas e recorrentes do problema, a chamada enxaqueca.

Felizmente, a medicina está avançando na compreensão das causas e no desenvolvimento de terapias mais eficientes para controlar o mal-estar. “Acreditem: mais de 50% das dores de cabeça e crises de enxaqueca podem ser evitadas com bons tratamentos preventivos”, disse à ISTOÉ o neurologista americano Stephen Silberstein, membro da respeitada Academia Americana de Neurologia (AAN), formada por 25 mil especialistas. Ele é autor, com outros cinco colegas, de um guia recém-lançado pela instituição que indica, entre todos os medicamentos disponíveis, os que realmente funcionam para evitar as temidas crises de enxaqueca, que pode ser hereditária. A equipe verificou a metodologia e os resultados dos principais estudos publicados em revistas científicas na última década. As diretrizes da AAN são referência mundial e devem ser seguidas para assegurar o adequado enfrentamento da mais aguda dor de cabeça. 

Os tratamentos mais eficientes para evitar essas crises, conforme os neurologistas americanos, devem ser selecionados entre três classes de medicamentos com ação no cérebro. Uma delas é composta pelos neuromoduladores, remédios que atuam na regulação de compostos liberados pelo nervo trigêmeo (cujas raízes estão na parte posterior da cabeça) e que são responsáveis pela deflagração de reações inflamatórias nos vasos sanguíneos da dura mater, uma das membranas que recobrem o sistema nervoso. Esse processo é a fagulha inicial da perturbação que pode durar horas ou até mesmo dias e se propaga em ondas por todo o cérebro. Outra categoria competente são os betabloqueadores, drogas apropriadas para tratar problemas cardiovasculares. Em dose menor, eles diminuem a pressão intracraniana que se manifesta em alguns tipos de dor de cabeça. Por fim, os neurologistas americanos destacam a eficácia dos anti-inflamatórios, que impedem a dilatação dos vasos sanguíneos.

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A AAN referendou ainda os efeitos preventivos do remédio fitoterápico Petasite, feito com uma planta nativa de regiões montanhosas da Europa com ação anti-inflamatória similar à cortisona. O produto não é usualmente comercializado nas farmácias do País. 

As recomendações do novo consenso americano estão sendo adotadas no Brasil, que tem dado contribuições relevantes para aprimorar, por exemplo, o uso dos neuromoduladores. “Um dos maiores problemas são os efeitos colaterais sentidos por alguns pacientes, como a dificuldade de cognição, o que leva muita gente a desistir do tratamento”, diz Abouch Krymchantowski, do Rio de Janeiro, autor de um estudo que testou o uso do remédio ministrado em menor dose em parceria com outro composto, o divalproato de sódio. “De 38 pacientes, 27 reportaram maior tolerância e se mantiveram no tratamento”, comemora o especialista. 

Nos episódios em que a crise sobrepuja esses esquemas de prevenção e se instala, as recomendações mais atuais da neurologia indicam que os melhores resultados são obtidos com compostos que simulam o neurotransmissor serotonina, uma substância que faz a comunicação entre as células nervosas do cérebro e está associada ao controle do humor, do ciclo vigília-sono e tem efeito analgésico comprovado. Esses remédios pertencem a uma família denominada triptanos. “Agem especificamente na fase aguda da enxaqueca”, explica o neurologista Milberto Scaff, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês. Se nada disso for suficiente para aliviar o sintoma, o guia da AAN manda reforçar o arsenal. “Hoje, a combinação de triptanos com anti-inflamatórios é o tratamento com mais sucesso na hora da crise”, diz o neurologista Abouch Krymchantowski, um dos mais prestigiados especialistas do País no tratamento das variadas formas de cefaleias. Nesta área, há um novo medicamento que une esses dois gêneros de substâncias em uso nos Estados Unidos e que está em fase de aprovação no Brasil.

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A esperança de encontrar armas ainda mais potentes e com menores efeitos colaterais tem levado os pesquisadores a explorar o envolvimento de cada parte do cérebro nas dores de cabeça. Um dos últimos achados é a participação do tálamo, área que regula a percepção do espaço, a consciência, o sono e os estados de alerta, que são algumas das habilidades seriamente comprometidas durante as crises. A estrutura também retransmite os impulsos sensoriais que recebe para o córtex, a camada mais externa do cérebro e na qual várias informações são processadas. Os cientistas acreditam que uma disfunção nesse mecanismo de repasse sirva como gatilho para crises. “O tálamo atua como uma espécie de estação de redistribuição dos impulsos, repassando-os, por exemplo, aos receptores de dor situados em várias partes no cérebro”, explicou à ISTOÉ Allan Purdy, chefe do Centro de Estudos em Neurologia do Hospital Elizabeth II, no Canadá. “Essa mediação pode interferir na intensidade das dores, tornando-as piores”, diz ele.

A importância desses estudos sobre o papel do tálamo é grande. Eles estão contribuindo, por exemplo, para explicar a fotofobia (sensibilidade ou aversão à luz), um sintoma comum da enxaqueca. Os especialistas suspeitam que existe uma forte relação entre o tálamo e o nervo óptico com papel crucial na manifestação e na intensidade desse sintoma, como evidenciou um estudo da Universidade de Harvard. “Constatamos que pacientes cegos por doenças que lesionam o nervo óptico, como o glaucoma, sentem menos enxaqueca do que aqueles que mantiveram essa estrutura preservada”, disse à ISTOÉ Rami Burstein, professor da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos. 

A partir dessa observação, os especialistas perceberam que a luz ativa o nervo óptico, que, por sua vez, excita o tálamo, interferindo na maneira como essa estrutura redistribui os estímulos no cérebro. Agora, os cientistas estão buscando novas terapias baseadas no bloqueio das moléculas que transmitem esses impulsos através do nervo óptico. “É um caminho promissor para prevenir a ocorrência da fotofobia durante a enxaqueca e, como consequência, a dor”, diz Burstein. Outra linha de pesquisa importante para a investigação de novas terapias está no genoma humano. O entendimento de variações genéticas que podem predispor uma pessoa a dores talvez forneça a explicação, por exemplo, dos motivos que levam um simples gole de vinho a deflagrar uma dor de cabeça insuportável em alguém e deixar outra pessoa incólume.

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O mapeamento dos percursos cerebrais dessas dores também está conduzindo os cientistas a novas abordagens. Um exemplo é o trabalho de um grupo de pesquisadores das Universidades Michigan e Harvard, nos Estados Unidos. Eles desenvolveram uma tecnologia de estimulação cerebral que pode diminuir a recorrência das crises de enxaqueca em 37%. A técnica consiste em promover uma neuroestimulação por meio da descarga de pulsos elétricos de baixa voltagem no cérebro, ministrados através de eletrodos posicionados sobre a cabeça. “Esses estímulos podem atingir até mesmo regiões mais profundas do cérebro” disse à ISTOÉ Marom Bikson, professor de engenharia biomédica na Escola de Engenharia Groove, em Nova York, que tomou parte no desenvolvimento da técnica. Os cientistas afirmam que a descarga elétrica modifica a química cerebral de forma positiva para afastar dores de cabeça. “Com a estimulação, houve liberação imediata de endorfinas, neutrotransmissor que é um dos principais mecanismos analgésicos do sistema nervoso e está relacionado com as crises de enxaqueca”, diz o brasileiro Alexandre da Silva, pesquisador do método e professor associado na Universidade de Michigan. A intenção das equipes de Harvard e Michigan é que o aparelho seja portátil (ele teria o tamanho de uma carta de baralho) e possa ser usado pelo paciente em qualquer lugar de maneira profilática. “Antes que isso aconteça, porém, será necessário testar seus efeitos em estudos clínicos com grandes populações”, explica Silva. 

Outro recurso para o controle do sintoma na sua forma mais severa foi testado em um estudo feito pelo Centro de Dor de Cabeça da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Trata-se da aplicação de doses altas de ácido acetilsalicílico, a aspirina, na veia, no momento da crise. Segundo os pesquisadores, o método se revelou tão bom no combate à dor quanto os triptanos, com a vantagem de ter menos efeitos colaterais. No trabalho, os pacientes registraram três pontos a menos do que antes ao responder a perguntas de uma escala de classificação da dor. Essa variação pode diferenciar uma crise severa de uma moderada. “Isso mostra que, hoje, há tratamentos mais baratos e menos tóxicos à disposição de médicos e pacientes”, disse Peter Goadsky, professor da Universidade da Califórnia e autor do estudo.

Simultaneamente ao surgimento de novas opções terapêuticas, outras estão perdendo credibilidade. É o caso da toxina botulínica – substância produzida por uma bactéria capaz de paralisar os músculos e que, em pequena quantidade, ameniza rugas. Um artigo publicado na revista da Associação Médica Americana (“JAMA”) em abril comparou a ação da terapia ao efeito de tratamentos placebo. O veredito foi dado após uma revisão dos estudos que embasaram a aprovação da toxina para a terapia das dores de cabeça constantes e intensas. “O uso desse método é uma falácia. Pode ter um efeito placebo poderoso, mas há outras técnicas de fato eficientes para reduzir a tensão associada a algumas dores de cabeça intensas”, diz o médico Paulo Bittencourt, de Santa Catarina.

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Uma delas é o emprego cada vez mais frequente de sessões de terapia cognitivo-comportamental, técnica que é focada na mudança de pensamentos e crenças e dos padrões de comportamento a eles vinculados. A terapia tem se mostrado bastante útil na identificação e no controle de condutas que levam alguns pacientes a crises reiteradas e, por fim, crônicas. Na origem de tudo está a repetição de algumas atitudes. “Há pacientes com problemas recorrentes no casamento ou no trabalho, o que aumenta a tensão. Isso pode ser fundamental para o agravamento do quadro”, diz o neurologista Bittencourt. “Nestes casos, a terapia ajuda muito.” Em tais circunstâncias, técnicas de ioga também podem ter êxito. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Médica Jaipur, na Índia, mostrou que bastou uma sessão de 60 minutos por semana para diminuir consideravelmente os acessos de dor de cabeça. No trabalho, com duração de um ano, 60% dos voluntários reportaram que o número de crises ficou em torno de cinco por mês, bem menos do que registravam antes. 

A acupuntura é igualmente eficiente no alívio da cefaleia tensional, conforme a Universidade de Munique, na Alemanha. A curto prazo (cerca de três meses), ela reduziu os sintomas na maioria dos participantes do estudo. A longo prazo, porém, os especialistas concluíram que ela não é suficiente para amenizar dores mais persistentes e severas. Deve, portanto, ser associada a outros tratamentos. De posse de toda a produção científica acumulada nos últimos anos, a AAN faz uma recomendação clara para quem sofre de dor de cabeça: analgésicos podem ser indicados apenas nos casos em que a crise acontece menos de uma vez por mês. Se ocorrer com mais frequência, o caminho mais produtivo para resolver o problema é iniciar um programa de prevenção.

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Fonte: Revista ISTOÈ
Edição: Antonio Luis