quarta-feira, 13 de junho de 2012

Suspeitos de participação na morte de Décio Sá são presos


Até agora, sete pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no caso.
Segundo a polícia, autor dos disparos é do Estado do Pará.


Jornalista Décio Sá, de 42 anos é morto na Avenida Litorânea (Foto: Divulgação)Jornalista Décio Sá, de 42 anos
foi morto na Avenida Litorânea (Foto: Divulgação)
Sete pessoas já foram presas na operação "Detonando" deflagrada, na manhã de desta quarta-feira (13), pela polícia do Maranhão. Os presos são suspeitos de envolvimento na morte do jornalista Décio Sá.

Dois empresários do Pará, um da cidade de Santa Inês, no Maranhão, dois assessores do empresário de Santa Inês, um subcomandante do Choque da Polícia Militar e assassino de Décio Sá seriam as sete pessoas presas.
Os empresários do Pará seriam do ramo de fornecimento de merenda escolar, e o outro, de Santa Inês, seria do ramo de revenda de veículos. O subcomandante da Polícia MIlitar teria emprestado a arma que foi usada para matar o jornalista, segundo as primeiras informações.

O autor dos cinco disparos que mataram o jornalista está entre os presos. Ele tem 24 anos e é do Estado do Pará. Ainda segundo a polícia, as características do executor conferem com as mostradas no retrato falado, divulgado no dia 1º deste mês, mas ele estaria com os cabelos cortados. Os outros presos são das cidades de Santa Inês, Zé Doca e São Luís, no Maranhão.
Na operação, estão sendo empregados doze delegados e setenta policiais civis e homens do GTA. Os presos serão apresentados na Secretaria de Segurança Pública do Maranhãono início da tarde.
Entenda o caso
O jornalista Décio Sá foi assassinado no dia 23 de abril, com cinco tiros, em um bar da Avenida Litorânea, em São Luís. No mesmo dia do crime, as investigações foram iniciadas e uma recompensa de R$ 100 mil foi oferecida  pelo Disque-Denúncia por pistas que levassem ao executor de Sá.
Logo no início das investigações, agentes descobriram o pente da arma usada pelo assassino, que o deixou cair durante a fuga e testemunhas começaram a ser inquiridas para prestar esclarecimentos sobre o fato.
Contudo, três depoimentos de testemunhas vazaram na internet e, com isso, a polícia decretou sigilo absoluto para não atrapalhar as investigações.
Quase 40 dias após o crime, a polícia divulgou o retrato falado do suspeito de assassinar o jornalista Décio Sá. Com a veiculação da imagem, o Disque-Denúncia, em 24 horas, recebeu 60 ligações que indicariam o paradeiro do executor.
Um dos suspeitos de participar do assassinato do jornalista, Valdênio José da Silva, chegou a ser preso, mas por falta de provas consistentes, acabou sendo libertado. Na última segunda-feira (12), Valdênio foi assassinado dentro de casa, na Vila Talita, em Raposa (Região Metropolitana de São Luís), também com cinco tiros. Após 51 dias do crime, a polícia elucidou o caso e já prendeu sete apontados de participação no assassinato.
Fonte: G1MA
Edição: Antonio Luis
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terça-feira, 12 de junho de 2012

Homem suspeito de participar de morte de jornalista é assassinado


Homem foi morto com cinco tiros durante a madrugada.
Ele ficou preso por trinta dias suspeito de participar da morte de Décio Sá.


 Um dos suspeitos de participação na morte do jornalista Décio Sá foi assassinado na noite desta terça-feira (12), na Vila Talita, na Raposa. Valdênio José da Silva foi preso, dias após a execução do jornalista, por suspeita de ajudar na fuga do assassino. Ele ficou detido por trinta dias e foi liberado em seguida.
Valdênio estava em casa quando um homem efetuou cinco disparos por uma janela entreaberta da residência. A vítima estava ao lado da esposa no momento do assassinato. Valdênio foi  apontado como um dos envolvidos na morte do jornalista Décio Sá através do Disque-Denúncia. 
Em nota a Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações sobre a morte de Valdênio José da Silva já foram iniciadas. Veja abaixo a nota na íntegra:
"A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), por meio da Polícia Civil do Maranhão, informa que já foram iniciadas as investigações sobre o assassinato de Valdênio José da Silva, 38 anos. O crime ocorreu na noite da última segunda-feira (11), na Vila Pirâmide, em Raposa, por volta das 23h. Valdênio foi alvejado com cinco tiros de revólver calibre 38.
Policiais da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) estão à frente do caso. Segundo informações, Valdênio tinha envolvimento com vários crimes no Maranhão e em outros estados, e, inclusive, já tinha sido preso diversas vezes por chefiar uma quadrilha especializada em roubo de carga e sob a acusação de latrocínio no Pará.
Ele foi preso no dia 26 de abril portando um revólver calibre 38, por suspeita de envolvimento na morte do jornalista Décio Sá."
Entenda o caso
Décio foi executado no dia 23 de abril com cinco tiros, em um bar, na Avenida Litorânea. De acordo com testemunhas, os suspeitos chegaram em uma motocicleta, executaram o jornalista e fugiram do local.

Qualquer informação sobre os assassinos do jornalista, pode ser passada ao Disque-Denúncia, pelos telefones 3223-5800, na capital, e 0300 313 5800, no interior do Estado. Não é necessário se identificar.
Fonte: G1
Edição: Antonio Luis

sábado, 9 de junho de 2012

As armas eficazes contra a dor de cabeça


Cientistas definem os remédios que realmente 

previnem e tratam a doença e indicam métodos

 capazes de aliviar os sintomas

Monique Oliveira
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Olhe ao seu redor. A cada dez pessoas que você vê, sete sentem dores de cabeça eventuais ou frequentes, segundo a Organização Mundial da Saúde. São vários os sintomas. Dor latejante em um dos lados ou dos dois do crânio, sensação de pressão, de pontadas. Algumas estão associadas ao esforço físico, à tensão e até à relação sexual. A maioria das pessoas tenta resolver o desconforto com um analgésico. Se o remédio não fizer o efeito esperado, o comportamento mais comum é engolir mais um comprimido e esperar pelo alívio, que nem sempre chega porque o problema já se tornou crônico. Dentre os indivíduos acometidos regularmente pelas cefaleias – o nome científico das dores de cabeça –, pelo menos um deles sofre de uma das formas mais intensas e recorrentes do problema, a chamada enxaqueca.

Felizmente, a medicina está avançando na compreensão das causas e no desenvolvimento de terapias mais eficientes para controlar o mal-estar. “Acreditem: mais de 50% das dores de cabeça e crises de enxaqueca podem ser evitadas com bons tratamentos preventivos”, disse à ISTOÉ o neurologista americano Stephen Silberstein, membro da respeitada Academia Americana de Neurologia (AAN), formada por 25 mil especialistas. Ele é autor, com outros cinco colegas, de um guia recém-lançado pela instituição que indica, entre todos os medicamentos disponíveis, os que realmente funcionam para evitar as temidas crises de enxaqueca, que pode ser hereditária. A equipe verificou a metodologia e os resultados dos principais estudos publicados em revistas científicas na última década. As diretrizes da AAN são referência mundial e devem ser seguidas para assegurar o adequado enfrentamento da mais aguda dor de cabeça. 

Os tratamentos mais eficientes para evitar essas crises, conforme os neurologistas americanos, devem ser selecionados entre três classes de medicamentos com ação no cérebro. Uma delas é composta pelos neuromoduladores, remédios que atuam na regulação de compostos liberados pelo nervo trigêmeo (cujas raízes estão na parte posterior da cabeça) e que são responsáveis pela deflagração de reações inflamatórias nos vasos sanguíneos da dura mater, uma das membranas que recobrem o sistema nervoso. Esse processo é a fagulha inicial da perturbação que pode durar horas ou até mesmo dias e se propaga em ondas por todo o cérebro. Outra categoria competente são os betabloqueadores, drogas apropriadas para tratar problemas cardiovasculares. Em dose menor, eles diminuem a pressão intracraniana que se manifesta em alguns tipos de dor de cabeça. Por fim, os neurologistas americanos destacam a eficácia dos anti-inflamatórios, que impedem a dilatação dos vasos sanguíneos.

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A AAN referendou ainda os efeitos preventivos do remédio fitoterápico Petasite, feito com uma planta nativa de regiões montanhosas da Europa com ação anti-inflamatória similar à cortisona. O produto não é usualmente comercializado nas farmácias do País. 

As recomendações do novo consenso americano estão sendo adotadas no Brasil, que tem dado contribuições relevantes para aprimorar, por exemplo, o uso dos neuromoduladores. “Um dos maiores problemas são os efeitos colaterais sentidos por alguns pacientes, como a dificuldade de cognição, o que leva muita gente a desistir do tratamento”, diz Abouch Krymchantowski, do Rio de Janeiro, autor de um estudo que testou o uso do remédio ministrado em menor dose em parceria com outro composto, o divalproato de sódio. “De 38 pacientes, 27 reportaram maior tolerância e se mantiveram no tratamento”, comemora o especialista. 

Nos episódios em que a crise sobrepuja esses esquemas de prevenção e se instala, as recomendações mais atuais da neurologia indicam que os melhores resultados são obtidos com compostos que simulam o neurotransmissor serotonina, uma substância que faz a comunicação entre as células nervosas do cérebro e está associada ao controle do humor, do ciclo vigília-sono e tem efeito analgésico comprovado. Esses remédios pertencem a uma família denominada triptanos. “Agem especificamente na fase aguda da enxaqueca”, explica o neurologista Milberto Scaff, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês. Se nada disso for suficiente para aliviar o sintoma, o guia da AAN manda reforçar o arsenal. “Hoje, a combinação de triptanos com anti-inflamatórios é o tratamento com mais sucesso na hora da crise”, diz o neurologista Abouch Krymchantowski, um dos mais prestigiados especialistas do País no tratamento das variadas formas de cefaleias. Nesta área, há um novo medicamento que une esses dois gêneros de substâncias em uso nos Estados Unidos e que está em fase de aprovação no Brasil.

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A esperança de encontrar armas ainda mais potentes e com menores efeitos colaterais tem levado os pesquisadores a explorar o envolvimento de cada parte do cérebro nas dores de cabeça. Um dos últimos achados é a participação do tálamo, área que regula a percepção do espaço, a consciência, o sono e os estados de alerta, que são algumas das habilidades seriamente comprometidas durante as crises. A estrutura também retransmite os impulsos sensoriais que recebe para o córtex, a camada mais externa do cérebro e na qual várias informações são processadas. Os cientistas acreditam que uma disfunção nesse mecanismo de repasse sirva como gatilho para crises. “O tálamo atua como uma espécie de estação de redistribuição dos impulsos, repassando-os, por exemplo, aos receptores de dor situados em várias partes no cérebro”, explicou à ISTOÉ Allan Purdy, chefe do Centro de Estudos em Neurologia do Hospital Elizabeth II, no Canadá. “Essa mediação pode interferir na intensidade das dores, tornando-as piores”, diz ele.

A importância desses estudos sobre o papel do tálamo é grande. Eles estão contribuindo, por exemplo, para explicar a fotofobia (sensibilidade ou aversão à luz), um sintoma comum da enxaqueca. Os especialistas suspeitam que existe uma forte relação entre o tálamo e o nervo óptico com papel crucial na manifestação e na intensidade desse sintoma, como evidenciou um estudo da Universidade de Harvard. “Constatamos que pacientes cegos por doenças que lesionam o nervo óptico, como o glaucoma, sentem menos enxaqueca do que aqueles que mantiveram essa estrutura preservada”, disse à ISTOÉ Rami Burstein, professor da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos. 

A partir dessa observação, os especialistas perceberam que a luz ativa o nervo óptico, que, por sua vez, excita o tálamo, interferindo na maneira como essa estrutura redistribui os estímulos no cérebro. Agora, os cientistas estão buscando novas terapias baseadas no bloqueio das moléculas que transmitem esses impulsos através do nervo óptico. “É um caminho promissor para prevenir a ocorrência da fotofobia durante a enxaqueca e, como consequência, a dor”, diz Burstein. Outra linha de pesquisa importante para a investigação de novas terapias está no genoma humano. O entendimento de variações genéticas que podem predispor uma pessoa a dores talvez forneça a explicação, por exemplo, dos motivos que levam um simples gole de vinho a deflagrar uma dor de cabeça insuportável em alguém e deixar outra pessoa incólume.

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O mapeamento dos percursos cerebrais dessas dores também está conduzindo os cientistas a novas abordagens. Um exemplo é o trabalho de um grupo de pesquisadores das Universidades Michigan e Harvard, nos Estados Unidos. Eles desenvolveram uma tecnologia de estimulação cerebral que pode diminuir a recorrência das crises de enxaqueca em 37%. A técnica consiste em promover uma neuroestimulação por meio da descarga de pulsos elétricos de baixa voltagem no cérebro, ministrados através de eletrodos posicionados sobre a cabeça. “Esses estímulos podem atingir até mesmo regiões mais profundas do cérebro” disse à ISTOÉ Marom Bikson, professor de engenharia biomédica na Escola de Engenharia Groove, em Nova York, que tomou parte no desenvolvimento da técnica. Os cientistas afirmam que a descarga elétrica modifica a química cerebral de forma positiva para afastar dores de cabeça. “Com a estimulação, houve liberação imediata de endorfinas, neutrotransmissor que é um dos principais mecanismos analgésicos do sistema nervoso e está relacionado com as crises de enxaqueca”, diz o brasileiro Alexandre da Silva, pesquisador do método e professor associado na Universidade de Michigan. A intenção das equipes de Harvard e Michigan é que o aparelho seja portátil (ele teria o tamanho de uma carta de baralho) e possa ser usado pelo paciente em qualquer lugar de maneira profilática. “Antes que isso aconteça, porém, será necessário testar seus efeitos em estudos clínicos com grandes populações”, explica Silva. 

Outro recurso para o controle do sintoma na sua forma mais severa foi testado em um estudo feito pelo Centro de Dor de Cabeça da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Trata-se da aplicação de doses altas de ácido acetilsalicílico, a aspirina, na veia, no momento da crise. Segundo os pesquisadores, o método se revelou tão bom no combate à dor quanto os triptanos, com a vantagem de ter menos efeitos colaterais. No trabalho, os pacientes registraram três pontos a menos do que antes ao responder a perguntas de uma escala de classificação da dor. Essa variação pode diferenciar uma crise severa de uma moderada. “Isso mostra que, hoje, há tratamentos mais baratos e menos tóxicos à disposição de médicos e pacientes”, disse Peter Goadsky, professor da Universidade da Califórnia e autor do estudo.

Simultaneamente ao surgimento de novas opções terapêuticas, outras estão perdendo credibilidade. É o caso da toxina botulínica – substância produzida por uma bactéria capaz de paralisar os músculos e que, em pequena quantidade, ameniza rugas. Um artigo publicado na revista da Associação Médica Americana (“JAMA”) em abril comparou a ação da terapia ao efeito de tratamentos placebo. O veredito foi dado após uma revisão dos estudos que embasaram a aprovação da toxina para a terapia das dores de cabeça constantes e intensas. “O uso desse método é uma falácia. Pode ter um efeito placebo poderoso, mas há outras técnicas de fato eficientes para reduzir a tensão associada a algumas dores de cabeça intensas”, diz o médico Paulo Bittencourt, de Santa Catarina.

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Uma delas é o emprego cada vez mais frequente de sessões de terapia cognitivo-comportamental, técnica que é focada na mudança de pensamentos e crenças e dos padrões de comportamento a eles vinculados. A terapia tem se mostrado bastante útil na identificação e no controle de condutas que levam alguns pacientes a crises reiteradas e, por fim, crônicas. Na origem de tudo está a repetição de algumas atitudes. “Há pacientes com problemas recorrentes no casamento ou no trabalho, o que aumenta a tensão. Isso pode ser fundamental para o agravamento do quadro”, diz o neurologista Bittencourt. “Nestes casos, a terapia ajuda muito.” Em tais circunstâncias, técnicas de ioga também podem ter êxito. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Médica Jaipur, na Índia, mostrou que bastou uma sessão de 60 minutos por semana para diminuir consideravelmente os acessos de dor de cabeça. No trabalho, com duração de um ano, 60% dos voluntários reportaram que o número de crises ficou em torno de cinco por mês, bem menos do que registravam antes. 

A acupuntura é igualmente eficiente no alívio da cefaleia tensional, conforme a Universidade de Munique, na Alemanha. A curto prazo (cerca de três meses), ela reduziu os sintomas na maioria dos participantes do estudo. A longo prazo, porém, os especialistas concluíram que ela não é suficiente para amenizar dores mais persistentes e severas. Deve, portanto, ser associada a outros tratamentos. De posse de toda a produção científica acumulada nos últimos anos, a AAN faz uma recomendação clara para quem sofre de dor de cabeça: analgésicos podem ser indicados apenas nos casos em que a crise acontece menos de uma vez por mês. Se ocorrer com mais frequência, o caminho mais produtivo para resolver o problema é iniciar um programa de prevenção.

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Fonte: Revista ISTOÈ
Edição: Antonio Luis

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Indianos engolem peixe vivo para tratar doenças respiratórias


Tratamento é popular no país e tem 161 anos de tradição.
Antes de ser engolido, peixe é mergulhado em erva medicinal.


Indianos engolem peixe vivo com erva medicinal como cura para asma e outros distúrbios respiratórios. (Foto: Noah Seelam / AFP Photo)Indianos engolem peixe vivo com erva medicinal como cura para asma e outros distúrbios respiratórios. (Foto: Noah Seelam / AFP Photo)
Em Hyderabad, na Índia, a ‘medicina do peixe’ é procurada por milhares de pessoas há 161 anos. O peixe é mergulhado em uma erva, cuja fórmula nunca foi revelada. (Foto: Noah Seelam / AFP Photo)Em Hyderabad, na Índia, a ‘medicina do peixe’ é procurada por milhares de pessoas há 161 anos. O peixe é mergulhado em uma erva medicinal, cuja fórmula nunca foi revelada. (Foto: Noah Seelam / AFP Photo)
Fonte: G1Edição: Antonio Luis

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Filha de casal dormia em quarto durante morte de executivo, diz polícia


Elize Matsunaga confessou ter matado e esquartejado diretor da Yoki.
Advogado diz que babá estava no imóvel na manhã do esquartejamento.




A filha do casal Matsunaga, de 1 ano, estava no apartamento na noite em que ocorreu a morte do diretor-executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, em 19 de maio, de acordo com a Polícia Civil. A criança estava dormindo em um dos quartos quando o executivo levou um tiro na cabeça após discutir com sua mulher, a bacharel em direito Elize Araújo Kitano Matsunaga, segundo confissão dela à polícia. Peritos realizaram uma reconstitução do crime na noite desta quarta-feira (6).
A babá havia sido dispensada por Elize horas antes do crime. "A nova babá chegou às 5h e não percebeu nada", afirmou nesta quinta-feira (7) o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carlos Carrasco. Em nenhum momento os vizinhos foram procurados pela bacharel em direito, afirma Carrasco.
A criança acordou por volta das 6h30, segundo o advogado da família da vítima, Luiz Flávio D'Urso. Neste horário, a nova babá já havia chegado e estava no quarto para cuidar da menina. "No momento em que houve o disparo, estavam os três no apartamento”, disse D’Urso, referindo-se ao casal e à filha.


A criança ficou com a babá no apartamento no dia 20 de maio, durante as 12 horas em que Elize esteve fora do prédio, afirma o advogado. A bacharel, que também é técnica em enfermagem, saiu levando três malas contendo as partes do corpo do diretor-executivo.

“Depois que chegou essa babá, na manhã do dia seguinte, é que a Elize foi para o quarto onde estava Marcos [diretor da Yoki]. Foi aí que, até segundo a própria confissão, ela começou o esquartejamento”, disse D'Urso.
Nesta quinta-feira (7), ainda de acordo com o advogado, a filha do casal estava no apartamento, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. “Como já houve a perícia, o apartamento foi liberado”, disse. A criança estava no local sob os cuidados de uma tia materna e passava bem.
O advogado afirmou que os familiares de Marcos ainda não pararam para discutir se irão pedir a guarda da criança. Segundo D’Urso, eles estão aguardando o final das investigações policiais para pensar no assunto.
Reconstituição
Após prestar depoimento durante oito horas na sede do DHPP e ter confessado ser autora do homicídio e esquartejamento, Elize foi levada ao edifício onde morava com Marcos e a filha. Ela chegou ao local por volta das 20h55 de quarta-feira (6). Peritos já estavam no apartamento para seguir com o trabalho iniciado na noite de segunda (5), quando utilizaram o luminol, um reagente químico, para procurar manchas de sangue na cozinha, no quarto do casal e na área de serviço. Desta vez, os reagentes foram utilizados nos cômodos apontados por Elize.

Arte (Foto: G1)
Os peritos levaram um boneco para auxiliar na reconstituição do crime, que teve início pouco depois das 21h e terminou às 0h30, de acordo com o delegado do DHPP, Mauro Dias. Aos peritos, Elize indicou o local onde alvejou o marido, por onde o arrastou e onde realizou o esquartejamento. Em todos os pontos indicados, os peritos encontraram vestígios de sangue humano, segundo o perito criminal Ricardo da Silva Salada.
"Todos os locais estavam coerentes com os vestígios encontrados. Ela atirou nele na sala e depois o arrastou até um quarto de hóspede, uma distância de 15 metros. O luminol indicou por onde ela foi arrastado e depois onde o esquartejou, no banheiro da empregada. A versão dela foi comprovada com reagentes. Um destes reagentes comprovou que se trata de sangue humano. Agora o exame de DNA deverá comprovar que é o sangue do Marcos. Com a simulação, temos a comprovação de toda a dinâmica do crime", disse Salada.
Segundo o perito criminal, a arma utilizada no crime, uma pistola .380, estava em uma gaveta na sala onde ocorreu o homicídio. Elize teria se emocionado em alguns momentos da reconstituição. "Mas creio que muito mais por preocupação do que vai ocorrer com a filha. Em termos de arrependimento, não me pareceu", disse. Pouco antes da 1h da madrugada de quinta, Elize saiu em um carro da Polícia Civil e foi levada para a delegacia de Itapevi, na Grande São Paulo.
O delegado do DHPP Mauro Dias acompanhou a reconstituição e a conclusão do trabalho da perícia, finalizado totalmente às 2h30, no apartamento. "Ela apontou e detalhou tudo sobre o que ocorreu no dia dos fatos. Inclusive, carregou malas com pesos aproximados com os dias do crime. Agora vamos em busca de provas que confirmem ou não a versão dela", disse Dias.
A polícia retirou do apartamento 30 armas, entre elas pistolas, fuzis e até submetralhadora, que faziam parte da coleção do diretor-executivo da Yoki, por uma medida de segurança. "É para a tranquilidade dos moradores. As armas vão ser guardadas no cofre do DHPP e consultaremos o Exército sobre qual o procedimento a ser tomado. As armas são todas regularizadas e autorizadas para uso de colecionador", afirmou Dias.
Imagens divulgadas
Polícia Civil divulgou na noite desta quarta as imagens das câmeras de segurança de um prédio na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, que mostram o que aconteceu antes e após a morte do diretor-executivo da Yoki.

As imagens do edifício onde o casal morava mostram Marcos entrando no prédio no dia 19, mas não registram sua saída. No dia seguinte, a gravação mostra Elize saindo do elevador, levando três malas com rodinhas. E mostra também a volta dela, 12 hora depois, sem as malas (confira a cronologia na arte ao lado).
Traição
Durante o interrogatório nesta quarta, que durou cerca de oito horas, Elize disse à polícia que matou o marido com um tiro na cabeça após discutir com ele por causa de uma suposta traição, segundo Carrasco,  diretor do DHPP. A mulher afirmou ainda que foi agredida pelo executivo e que, por isso, atirou.

"Não houve premeditação, houve uma briga”, disse o diretor do DHPP. Questionado sobre o fato de nenhum vizinho ter ouvido o som do disparo, Carrasco respondeu que o apartamento, além de ter uma área grande (é um triplex), tem janelas antirruído.
A Justiça concedeu a prorrogação da prisão de Elize por mais 15 dias. A mulher contou em depoimento que, após atirar no executivo, arrastou o corpo até um quarto, onde usou uma faca de 30 centímetros para esquartejá-lo. “Por ser conhecedora de anatomia humana, por ter feito um curso de enfermagem, ela pegou uma faca e cortou nas juntas, nas cartilagens”, disse Carrasco.
A ausência de sangue, segundo o delegado, deveu-se ao tempo passado entre a morte e o desmembramento. “Ele já estava com rigidez cadavérica. O sangue estava coagulado.” Segundo relato dela à polícia, as partes foram colocadas em três malas e espalhadas em uma área de mata em Cotia, na Grande São Paulo.
A pistola 380 usada no crime vai ser periciada e já está com os policiais. Segundo Carrasco, a mulher contou que a arma foi um presente do marido. Ambos praticavam tiro e o empresário tinha uma coleção de armamentos. O delegado acrescentou que Matsunaga, assustado com as notícias de arrastões em condomínios, deixava por precaução armas espalhadas pelo apartamento e que uma delas foi a que o matou.
Em depoimento, Elize disse ter feito tudo sozinha. Para Carrasco, sua versão é convincente. “Não tenho dúvida da autoria nem da materialidade. Acredito que ela agiu sozinha." A babá da filha do casal que havia sido dispensada também deve depor.
Desde o dia em que foi presa, o G1 tenta contato com o advogado de Elize. Nesta tarde, o advogado José Beraldo informou que chegou a conversar com a bacharel, mas que ela afirmou que seu defensor será um professor do curso de direito onde ela estudou.
Detetive particular
A polícia tenta identificar o detetive particular que foi contratado por Elize para investigar se o excutivo a traía. Ele é procurado para que seja intimado a prestar depoimento sobre seu trabalho. Policiais informaram à equipe de reportagem do G1 que o profissional seguiu o executivo e comprovou a infidelidade dele. Fotos e relatórios sobre três supostas amantes foram enviadas para a bacharel. No computador da vítima, peritos da Polícia Técnico-Científica identificaram acessos a sites de prostituição.

elise yoki (Foto: Nilton Fukuda/AE)Elize no momento em que chegou para depor no DHPP (Foto: Nilton Fukuda/AE)
Fonte: G1 São Paulo/SP
Edição: Antonio Luis


terça-feira, 5 de junho de 2012

Polícia de Pernambuco identifica terceira vítima de trio canibal


A Polícia Civil de Pernambuco afirmou nesta terça-feira que os fragmentos de um corpo encontrado em uma casa em Olinda são de uma das três mulheres mortas pelo trio preso em Garanhuns sob suspeita de assassinar, esquartejar e comer a carne das suas vítimas.
Segundo o delegado de homicídios de Olinda, Paulo Berenguer, exames de DNA comprovaram que os ossos são de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17, morta provavelmente em maio de 2008.
A adolescente, disse Berenguer, foi assassinada com um golpes de faca no pescoço e retalhada. Seu sangue foi extraído e a pele, arrancada.
Ainda de acordo com o delegado, os suspeitos disseram que fatiaram partes do corpo e, no dia seguinte, comeram a carne grelhada, temperada com sal e cominho.
A filha da vítima, à época com um ano de idade, também comeu a carne da própria mãe, oferecida pelo trio, segundo depoimentos dos suspeitos à polícia.
Após o crime, a menina foi registrada como sendo filha de dois dos envolvidos no caso, Jorge Negromonte da Silveira, 51, e Isabel Cristina Torreão Pires da Silveira, 51.
A terceira suspeita, Bruna Cristina Oliveira da Silva, 25, amante de Jorge, assumiu a identidade da adolescente, usando uma certidão de nascimento da vítima.
Jorge também possuía uma identidade falsa, em nome de um irmão, que teria sido usada para sacar ilegalmente R$ 71 mil que estavam guardados em um banco.
Após a morte de Jéssica, disse o delegado, o trio fugiu com a criança para a Paraíba. Antes, desenterraram as partes do corpo, dispostas em forma de cruz no quintal da casa, e jogaram no lixo.
Alguns fragmentos, como dedos e ossos dos ombros, ainda foram encontrados enterrados na varanda e emparedados, entre tijolos.
Vídeos gravados pela polícia mostram os suspeitos indicando os locais onde haviam enterrado a adolescente, e os peritos recolhendo os restos nos mesmos pontos.
O trio retornou a Pernambuco anos depois e foi viver em Garanhuns. Na cidade, teriam assassinado mais duas mulheres, após atraí-las com promessa de emprego.
Em abril, os corpos mutilados de Giselle Helena da Silva, 31, e Alexandra da Silva Falcão, 20, foram encontrados enterrados no quintal da casa onde o grupo vivia.
Interrogados, os três confessaram os crimes. Isabel disse ainda que recheou empadinhas com carne humana e vendeu os salgadinhos na rua, por R$ 1 cada um.
Segundo o delegado, eles afirmaram que pertenciam a uma seita, o "cartel", que matavam mulheres para controlar a população, e que comiam a carne delas como ritual de purificação. Nenhum outro suposto integrante da seita foi encontrado.
As investigações também concluíram que não há mais vítimas do grupo em Pernambuco. Sete casos foram apurados. Três pessoas foram encontradas vivas e, em um caso de homicídio, o acusado foi inocentado. A polícia da Paraíba ainda investiga o desaparecimento de uma mulher.
O casal e a amante foram indiciados em dois inquéritos policiais, sob suspeita de cometer os três homicídios.
O grupo responderá também por possível envolvimento em outros crimes, como o uso de documentos falsos.
Jorge, Isabel e Bruna estão presos. A Folha não conseguiu identificar seus advogados.

Fonte: Folha.com
Edição: Antonio Luis

Profissão benzedeira


Por que o trabalho de curar com orações e plantas 

medicinais começa a ser reconhecido oficialmente no País

Flávio Costa
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TRADIÇÃO
Só em duas cidades do Paraná foram identificadas 295
benzedeiras, que atendem, prioritariamente, crianças
Foi o pai de Ana Maria Santos, 46 anos, moradora de Rebouças, distante 170 quilômetros de Curitiba, no Paraná, que lhe ensinou o ofício de benzedeira. Mas ele mesmo pouco benzia, por conta da marginalização imposta pelas autoridades locais à atividade de cura popular, amálgama de tratamento espiritual aliado ao uso de ervas medicinais. “É um dom que a gente tem. Mas não somos nós que curamos, e sim Deus”, afirma a benzedeira, que atende uma média de 20 pessoas por semana, a maioria delas crianças com problemas de saúde comezinhos, como micoses, cólicas abdominais e até “susto” – medo de assombração. Ao contrário do pai, Ana Maria pode benzê-las em paz, desde que a prefeitura da cidade sancionou, em fevereiro, uma lei que reconhece o trabalho das praticantes da chamada saúde popular. Logo depois, foi a vez de São João de Triunfo, no mesmo Estado, adotar lei semelhante. 

São dois casos pioneiros no Brasil. Não por acaso. Nessas duas cidades foram identificadas 295 benzedeiras pelo Movimento de Aprendizes da Sabedoria, organização responsável pela aprovação das leis, que chegou a receber um prêmio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O órgão federal já classificou a cura por meios não tradicionais como um patrimônio imaterial da cultura brasileira. “Acreditamos que essas iniciativas devem ser adotadas em outras cidades e Estados, desde que as benzedeiras participem do processo”, afirma Taísa Lewitzki, uma das coordenadoras do movimento. Agora, as rezadeiras têm livre acesso a qualquer terreno dos dois municípios paranaenses, mesmo os privados, para coletar ervas, desde que respeitadas as leis ambientais. Mas existem aquelas que nem precisam sair de casa. “Eu mesma planto no meu quintal mais de 40 plantas medicinais”, diz a benzedeira Agda Andrade, 57 anos.

Para a antropóloga Geslline Giovana Braga, da Universidade Federal do Paraná, a legislação aprovada nos dois municípios carrega, sobretudo, força simbólica. “Mostra que as benzedeiras não estão desaparecendo. Eu jamais ouvi benzedeira alguma  proibir o uso do remédio ou suspender um tratamento médico, pelo contrário”, afirma Geslline. Essa realidade de preconceito começa a mudar aos poucos. Estados como Ceará e Rio Grande do Norte estudam também reconhecer a chamada saúde popular. No município cearense de Maranguape, inclusive, médicos do Programa Saúde da Família atuam em conjunto com as rezadeiras no combate à mortalidade infantil, com resultados satisfatórios.

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Fonte: Revista ISTOÈ
Edição: Antonio Luis

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Existe amizade entre homens e mulheres?


Sim, eles e elas podem ser genuinamente amigos.

 Porém, pesquisas apontam que a atração física 

está presente na maioria dessas relações e ainda

 afirmam que o sexo (para surpresa de muitos) 

pode fortalecer esses laços

Paula Rocha
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DILEMA
Admiração, ciúme, carinho, cumplicidade:
sentimentos que podem confundir o casal de amigos

"Entre um homem e uma mulher não é possível haver amizade. É possível haver paixão, hostilidade, veneração, amor, mas amizade, não." A frase, proferida pelo escritor irlandês Oscar Wilde (1854 – 1900), parece datada, mas não podia estar mais em sintonia com as atuais discussões sobre as relações entre os sexos. Assistido por mais de seis milhões de pessoas, um vídeo amador se tornou viral nos Estados Unidos e no Canadá justamente por explicitar a diferença de opiniões entre homens e mulheres no que tange às amizades intersexuais. Nele, um estudante universitário pergunta a suas colegas de faculdade se elas acreditam ser possível existir amizade entre um homem e uma mulher. A resposta? “Sim, claro”, dizem todas. Já quando ele dirige a mesma questão a seus colegas homens, ouve de todos que “hummm... não!” O tema, abordado de forma lúdica no vídeo, ganhou roupagem científica em três recentes pesquisas que buscam entender melhor as implicações das amizades entre pessoas de sexos opostos. Numa delas, os estudiosos definiram os quatro tipos mais comuns de relações entre eles e elas. Em outro estudo, pesquisadores concluíram que existe ao menos um pequeno nível de atração na maioria das amizades intersexuais, o que não é necessariamente ruim, já que a terceira pesquisa aponta que o sexo, para surpresa (e alegria) de muitos, pode fortalecer os laços entre os amigos. 

As amizades entre homens e mulheres podem até ser comuns nos dias de hoje, porém o mesmo não acontecia há apenas algumas décadas. Considerando o ponto de vista histórico, a interação amistosa entre eles e elas é um fenômeno recente, que surgiu depois da invenção da tevê em cores, em 1954. Até o século XIX, a amizade intersexual era considerada um “mal degenerador”, como conta Rosana Schwartz, pesquisadora de gênero pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e também pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Usando argumentos religiosos ou até científicos, os homens acreditavam que as mulheres eram frágeis e propensas a comportamentos desviantes, por isso a convivência com um homem que não fosse da família poderia degenerá-las”, diz Rosana. Ou seja, na época se acreditava que a presença de um homem poderia levar as pobres mulheres indefesas a cometerem um ato absolutamente condenável: o sexo fora do casamento. Numa sociedade em que a maioria das mulheres só convivia com figuras masculinas como o pai, os irmãos ou os padres, a amizade entre os sexos era muito difícil, senão impossível. Esse cenário só começou a mudar quando elas chegaram em massa ao mercado de trabalho, no período pós-Segunda Guerra Mundial. “Mesmo assim, a amizade intersexual como a conhecemos hoje só se solidificou nos anos 1970, pois até uma década antes os únicos amigos homens que as mulheres tinham eram os amigos do seu marido”, afirma Rosana.

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Mais de 40 anos depois, a maior interação entre homens e mulheres possibilitou que a amizade entre os sexos florescesse, mas não eliminou as complicações naturais presentes nesse tipo de relação. Afinal, o conhecimento popular prega que a linha que separa a amizade do amor é tão tênue que, numa relação em que homem e mulher gostam da companhia um do outro, esses sentimentos certamente irão se misturar. Na ficção não faltam exemplos de histórias de amigos que se descobrem apaixonados e fatalmente acabam em romance (leia quadro na pág. 92). Mas será que uma relação de amizade entre homem e mulher sempre contém uma pitada de atração amorosa ou sexual? Dispostos a descobrir isso, uma equipe de professores da Universidade de Wisconsin-Eau Claire, nos Estados Unidos, realizou uma pesquisa com 400 adultos, com idades entre 18 e 52 anos, que mantinham amizade com pessoas do sexo oposto. A maioria declarou sentir ao menos um nível de atração por seu amigo ou amiga, mas os homens em geral demonstraram estar mais atraídos pelas amigas do que elas por eles. Eles também se mostraram mais dispostos a ter um encontro amoroso com as amigas do que elas com os amigos.
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Em outro estudo realizado pelo mesmo time de pesquisadores, os 400 entrevistados foram convidados a nomear os benefícios e malefícios das amizades intersexuais. Em geral, a maioria declarou enxergar mais delícias do que dores nesse tipo de relação. Porém, a atração sexual foi considerada mais um malefício do que um benefício. Esse sentimento seria responsável pela infelicidade dos entrevistados em seus respectivos relacionamentos amorosos – quanto mais atraídos pelos amigos eles se sentiam, pior eles avaliaram sua satisfação em seus namoros ou casamentos. Aceitar que seu parceiro amoroso tem um amigo do sexo oposto também não é uma tarefa fácil para a maioria das pessoas, garante a americana Lillian Rubin, autora do livro “Just Friends” (Apenas Amigos, sem publicação no Brasil). Na obra, a psicóloga discorre sobre as alegrias e os dramas inerentes às amizades intersexuais. “Amigos, independentemente do gênero, existem para suprir as lacunas que não são preenchidas no casamento e dessa forma tornam o casamento possível”, disse Lillian à ISTOÉ. “E é porque sabemos isso que os amigos, especialmente aqueles do sexo oposto, são vistos como uma ameaça.” Mesmo com os possíveis prejuízos às relações amorosas, as amizades entre eles e elas ainda são desejadas pelas maioria. “A atração sexual foi considerada, com frequência, um malefício, mas, mesmo assim, as pessoas se mostraram dispostas a cultivar amizades com indivíduos do sexo oposto porque se sentem realizadas nesse tipo de relação”, diz April Bleske-Rechek, professora de psicologia e uma das autoras do estudo da universidade americana.
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Outra pesquisadora americana, Heidi Reeder, professora de comunicação da Boise State University, publicou recentemente um artigo em que classifica os quatro tipos mais comuns de amizade entre homens e mulheres (leia quadro à esq.). Após realizar centenas de entrevistas com alunos e alunas de diversas idades sobre esse tema, Heidi chegou à conclusão de que o tipo mais comum de amizade entre eles e elas, já experimentado por 96% dos entrevistados, não inclui interesse romântico ou sexual. Em segundo lugar ficou a atração objetiva física ou sexual, em que os amigos reconhecem que o outro pode ser atraente, mas não nutrem atração física entre si. É o caso dos amigos Nicolly Mira, 25 anos, e Aluísio Nahime, 28. Os dois se conheceram há sete anos, quando cursavam faculdade. De tanto se encontrar nos corredores e nas festas, aos poucos foram se tornando mais próximos e hoje se consideram melhores amigos. “Para mim o Aluísio é como um irmão mesmo. Dormimos na mesma cama várias vezes, eu até já vi ele pelado, mas nunca rolou nada entre a gente”, conta Nicolly, que admite achar o amigo lindo, mas diz que ele não faz seu tipo. Nahime, por sua vez, também diz ver Nicolly como uma irmã. “Sempre posso contar com o apoio dela, seja nas horas boas, seja nas horas ruins”, diz. “E, para mim, palavra de mulher vale mais do que a de homem.”
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Na opinião do psicoterapeuta Ailton Amélio, da Universidade de São Paulo (USP), um especialista em relações entre homens e mulheres, o tipo de amizade desfrutado por Nicolly e Nahime é muito benéfico, sim, “mas desde que não haja interesse romântico ou sexual de uma das partes, pois isso poderia desestabilizar a relação”, diz. Já a pesquisadora Rosana Schwartz defende que a atração física não impede que a amizade entre os sexos ocorra. “Muitas vezes essa primeira aproximação se dá por conta de um interesse físico de pelo menos uma das partes”, afirma Rosana. “Mas, se essa atração não é correspondida, a amizade acontece.” Apesar de garantir que não nutre nenhuma atração por Nicolly hoje, Nahime admite que se aproximou dela porque a achou atraente. “No começo eu tinha vontade de ficar com ela, sim. Tentei uma vez, ela não quis, eu respeitei essa decisão e daí a amizade cresceu”, diz. Cláudya Toledo, diretora da agência de relacionamentos A2 Encontros, no entanto, enxerga com mais ceticismo a suposta amizade despretensiosa entre eles e elas. “Pela minha experiência como cupido profissional, acredito que só os homens mais velhos conseguem ter uma relação desinteressada com as mulheres”, afirma Cláudya. “Os mais novos estão muito preocupados com a conquista amorosa ou sexual.”
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Polêmicas à parte, a atração física entre amigos de sexos opostos pode não ser tão ruim assim, como indica outro estudo conduzido pela pesquisadora americana Heidi Reeder. Ao ouvir cerca de 300 pessoas de ambos os sexos sobre suas amizades intersexuais, ela chegou à conclusão de que 20% dos entrevistados já haviam transado com um amigo ou uma amiga pelo menos uma vez na vida. Destes, 76%, surpreendentemente, disseram que a amizade melhorou depois do sexo. Dentre os 76%, metade começou um relacionamento amoroso com o amigo, mesmo que essa não fosse sua intenção original. A outra metade permaneceu apenas na amizade, muitas vezes, colorida. O termo, que define as relações em que os amigos são apenas amigos, mas têm intimidade física, é bem conhecido desde os tempos do amor livre, lá pelos anos 1970. Ainda hoje, contudo, muita gente reprova esse tipo de interação entre os sexos. “A sociedade ainda condena esse comportamento, especialmente nas mulheres”, diz Ailton Amélio. “É difícil encontrar uma que admita desfrutar de uma amizade colorida porque elas têm medo de ficar malfaladas, já que uma relação desse tipo implica que tanto o homem quanto a mulher possuem outros parceiros sexuais.”

Assumir a escolha por uma amizade colorida não é um problema para a publicitária Grace Kelly Toledo Dorta, 33 anos. Há mais de dez anos ela mantém um relacionamento na base do “amigos com benefícios” com o gerente de vendas Alex Savi Monteiro, também de 33 anos. Numa relação ora próxima, ora distante, eles namoraram outras pessoas durante esse período, mas sempre acabaram retomando o contato. “Quando ela estava namorando, eu sentia ciúme sim, mas ficava na minha”, diz Monteiro. “E, quando estamos solteiros, procuramos um ao outro, mas nem sempre ele ou eu estamos disponíveis para atender”, afirma Kelly. Entre encontros e desencontros, a amizade se fortaleceu. “Nossa relação é muito forte, é amor. Sei que posso contar com ela para tudo”, diz Monteiro. “Nós curtimos muito a companhia um do outro, e, se essa relação nunca evoluir para um romance, pelo menos será uma boa história para contar para os meus netos no futuro”, afirma Kelly.

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Nem sempre, porém, misturar sexo com amizade faz bem para as relações. O gerente de marketing C.S.R., 28 anos, que pediu para não ser identificado, perdeu uma amiga depois de se envolver romanticamente com ela. Os dois se conheceram há seis anos, quando trabalhavam juntos em um shopping na capital paulista. Almoço vai, almoço vem, construíram uma relação de amizade. Porém, C., que estava solteiro na época, acabou se envolvendo com a prima da amiga. “Um dia, no entanto, percebi que gostava mesmo da minha amiga. Então terminei o caso com a prima dela e começamos a ficar”, diz C. O problema foi que, por receio de magoar a prima, a amiga de C. não quis assumir o romance, o que gerou muitas brigas. “Claro que isso causou um desgaste grande entre nós e fez com que eu me afastasse dela. No ponto em que estávamos, não havia mais meio-termo, não dava para simplesmente continuarmos amigos”, diz. Depois que eles romperam a amizade, a amiga de C. namorou e se casou com outro homem, mas até hoje ele lamenta o que aconteceu. “Perdemos uma amizade e uma relação fantástica, que nunca tive com outra pessoa desde então.” Para Ailton Amélio, o envolvimento amoroso ou sexual entre amigos pode ser um fator de risco para as amizades, sim, principalmente quando o interesse romântico ou sexual é unilateral. “Nesse caso, o sexo provavelmente aumentará o envolvimento romântico daquele que sentia esse tipo de atração e essa pessoa pode querer transformar o relacionamento em namoro, o que constrangerá a outra”, diz.
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Para felicidade (ou infelicidade) dos amigos de sexos opostos, o que a sabedoria popular perpetua, e os especialistas reforçam, é que se apaixonar por um amigo é mesmo muito fácil. “É mais cômodo se apaixonar por alguém que está ao seu lado, alguém com quem você já tem intimidade e pode se entregar”, diz Cláudya Toledo. Foi o que aconteceu com os empresários Camila Balthazar, 27 anos, e Marcos Trinca, 35. Os dois se conheceram há três anos. A princípio, o que os uniu foi uma empatia mútua. Ambos estavam solteiros e se tornaram amigos próximos, do tipo que dorme na mesma cama e troca revelações sobre suas respectivas experiências sexuais e amorosas. “Não rolava atração de nenhuma das partes”, afirma Camila. Até que o assunto “ficar” entrou em pauta. “Conversamos sobre como seria se a gente se beijasse”, conta Trinca. “Havia essa vontade, mas, ao mesmo tempo, também tínhamos medo de que isso prejudicasse nossa amizade.” Numa noite, o beijo aconteceu. Um mês depois, os dois já cultivavam uma relação amorosa. Hoje vivem juntos, mas não se declaram casados. “Estar em um relacionamento amoroso com seu melhor amigo é ótimo. Não há segredos entre a gente”, diz Camila. 

Por mais que a amizade intersexual ainda seja vista com descrença por muitas pessoas, especialmente pelos homens, a interação amistosa pode acontecer até nos cenários mais improváveis, como comprova a história da assessora Erika Digon, 35 anos, e do gerente comercial Tuco Oliveira, 36. Erika e Oliveira foram casados por sete anos. Alegando desgaste da relação, ela decidiu pedir a separação. “Na época, o Tuco ficou bem chateado e permanecemos alguns meses sem nos falar”, diz. Conforme o baque do divórcio foi passando, os dois retomaram o contato. “Quando eu via algo que me lembrava o Tuco, ligava na hora para ele para contar”, lembra Erika. De ex-marido e ex-mulher, os dois passaram a melhores amigos, tanto que Oliveira fez questão de ir à festa do segundo casamento de Erika. “Acho que o que ficou para nós foi uma ligação muito mais forte do que o normal, de poder trocar confidências sobre relacionamentos, profissionais e até sobre nosso direcionamento de vida. O querer o bem um do outro é o que move a nossa relação”, diz Oliveira. E o ciúme, os dois garantem, ficou para trás. “A atração e o tesão acabaram, mas o amor entre nós permaneceu”, afirma Erika. Prova de que até Oscar Wilde, apesar de ser um ótimo criador de frases de efeito, não podia estar sempre certo.

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Produção: Braga Júnior - Imagemakers;
Agradecimentos: Colcci, Triton, Forum, Calvin Klein


Fonte: Revista ISTOÈ
Edição: Antonio Luis